Centro Esportivo Brigadeiro Eduardo Gomes

Centro Esportivo

Quem passa pelo entorno da estação Carrão do metrô, entre as ruas Apucarana e Mont Serrat, observa uma extensa área verde cercada por muros de palito em concreto. Na correria do dia a dia, poucas pessoas conseguem um tempinho para adentrar o local e conhecer o trabalho desenvolvido lá dentro.
Administrado pela Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Recreação, o Centro Esportivo (CE) Brigadeiro Eduardo Gomes possui 40 anos de história dedicados a proporcionar atividades de esporte e lazer à população.
O local foi fundado em junho de 1976 pela prefeitura e foi construído em um terreno com 95 mil metros quadrados, que anteriormente era uma chácara, segundo Jeferson Gardenghi, agente de apoio do CE.
Batizado como CE Brigadeiro Eduardo Gomes, ou simplesmente conhecido como CE Tatuapé, o local encontra-se em transformação e passará a se chamar Território CEU Carrão/Tatuapé. Este é um dos oito centros educacionais unificados que estão sendo construídos pela prefeitura integrados a equipamentos públicos existentes. O intuito, segundo a prefeitura, é requalificar o patrimônio municipal.
Contudo, o local é popularmente conhecido entre os moradores da região como Centro Esportivo Sampaio Moreira. Isso porque está localizado próximo à área em que um dia foi o campo do time de futebol de várzea da região: o Esporte Clube Sampaio Moreira, fundado em setembro de 1929.
Segundo Gardenghi, antigamente, a área em que foi construída a estação de metrô era o campo de várzea do clube de futebol. Após a chegada do metrô, o time passou a treinar no campo dentro da área do CE, local onde até hoje realiza seus jogos nos domingos à tarde, assim como outros times de várzea da região, também tradicionais: Cruzeiro do Sul, o Cruzeirinho (65 anos); Vila
Paris Futebol Clube (91 anos) e Juventude Futebol
Clube (36 anos).
O agente de apoio do CE, Gardenghi, também conta que, no começo de seu funcionamento, o centro possuía a atividade de escolinha de futebol, na qual o professor Dino Pavão fez história. Além disso, havia as piscinas para lazer, quadras de basquete e futebol de salão e a pista para caminhada, que foi inaugurada ainda sem grama.  
Tempos depois da fundação, começaram as atividades de boxe, que tornaram o local referência nesta modalidade na região. Lá, treinaram grandes nomes do esporte nacional como Maguila e Giovanni Andrade.
Muitos jovens tiveram a oportunidade de aprender o esporte com o famoso Mestre Baltazar. Erotildes Ferreira do Carmo foi um importante nome do boxe que faleceu em 2009, mas marcou a vida de todos que aprenderam grandes lições com ele.
No futebol, os destaques são Adãozinho e Paulo Borges, ex-jogadores do Corinthians, falecidos em 2011, que foram instrutores do CE.

Estrutura
Atualmente, o CE encontra-se em obras de reforma para receber a estrutura do Território CEU. Iniciadas em dezembro do ano passado, as obras têm prazo estimado de conclusão para 5 de dezembro de 2016. Contudo, José Garcia Telles Júnior, coordenador do CE, acredita que este prazo não será cumprido, porque as obras andam em ritmo lento.
Antes do início das obras, a estrutura do local possuía: 2 campos de futebol; 2 quadras poliesportivas cobertas; 3 quadras poliesportivas descobertas; 4 salas para atividades físicas; 1 sala de ginástica; 1 cancha de bocha; 2 duas piscinas para recreação; e a famosa sala de boxe, templo do eterno mestre Baltazar.
As 3 quadras descobertas e 4 salas para atividades físicas serão mantidas e reformadas. Com a chegada da estrutura das unidades do CEU, o espaço passará a ter piscina semiolímpica (coberta e aquecida), quadra poliesportiva coberta, pista de skate, ciclovia para crianças, entre outros espaços.
A cancha de bocha e a academia de boxe, tradicionais no CE existente, são diferenciais da unidade Carrão/Tatuapé em relação a outras pela cidade.
No passado, o espaço já chegou a receber 1600 visitantes por dia. Após a inauguração do Território CEU este número deve aumentar consideravelmente.

Atividades
Apesar das obras, as atividades estão sendo mantidas ao máximo. Mais de 80% continuam acontecendo, informa Garcia, coordenador do CE. A área da piscina está totalmente desativada e as salas de ginástica e o ginásio foram demolidos, para a construção de novos espaços. Com isso, a maior parte das aulas está sendo realizada em uma grande tenda montada na área externa.
As atividades realizadas atualmente com professores e instrutores são: alongamento/ioga; karatê; kickboxing; tai chi chuan; dança de salão; capoeira; taekwondo; e futebol de campo feminino, cuja equipe é a atual campeã da Copa São Paulo 14, título conquistado em 2016.
Por ser ponto de referência em kickboxing na região, o CE recebe grande procura por esta modalidade esportiva. Esta é a atividade que possui mais inscritos atualmente.
Garcia conta que as aulas de ioga também têm grande procura, mas não há professores para suprir a demanda. Além disso, o espaço físico atual consegue atender no máximo 40 pessoas por aula. Mas ele acredita que esta seria uma modalidade que, sem dúvida, atrairia mais usuários ao clube se fosse possível uma oferta maior de vagas.
Todas as aulas e atividades são gratuitas, mas é preciso se cadastrar e obter a carteirinha para participar das aulas. Para isso, é só comparecer ao local com o RG e o comprovante de residência. A foto para carteirinha é gratuita e realizada no momento da inscrição. O exame médico é feito no próprio CE Tatuapé.
Um dos locais mais visitados é a pista de cooper e caminhada, que não foi afetada pelas obras. Os campos de futebol também continuam em uso, recebendo partidas aos domingos à tarde. Não é preciso possuir carteirinha para visitar estas áreas.
Waldir Saram, morador do bairro, frequenta o local há mais de 20 anos e possui uma relação afetiva com o espaço. “Já plantei árvores com as minhas netas lá.” Ele costuma fazer caminhadas, utilizar os equipamentos de ginástica e assistir a jogos de futebol e bocha. “Em comparação a outros centros do bairro, este era desfavorecido, mas a preocupação com o espaço está aumentando e a estrutura está melhorando”, diz.
A área da pista de cooper e caminhada é cercada por vegetação e é bastante apreciada para passeios. A estudante Ariane Passos, 16 anos, é moradora do bairro e às vezes vai ao parque para passear. “Acho interessante e bacana as atividades e o incentivo que o Centro Esportivo dá ao esporte e à dança. Mas percebo que não tem tantas atividades de lazer, como piqueniques, o local é mais voltado ao esporte mesmo.”
Como o CE possui boa localização, próximo à estação de metrô Carrão e a vias importantes, como a Radial Leste e Avenida Aricanduva, recebe visitantes de diversas partes da cidade. Funciona também como lugar para pausa entre um compromisso e outro.
O estudante Igor Requena, 17 anos, mora no bairro da Penha mas frequenta um curso na Rua Azevedo Soares, próxima ao CE, por isso costuma visitar a área do parque enquanto aguarda o horário do início da aula. “Quando eu chego mais cedo, entro aqui e fico sentado aguardando o horário da aula. Acho o espaço legal e seguro. Nunca presenciei situações violentas aqui dentro”, diz.
Atividades não esportivas também ocorrem na área pertencente ao CE: no Grupo Tatuapé Narcóticos Anônimos, presente há quatro anos; no Engenho Teatral, há mais de 20 anos; e no Grupo Escoteiro São José de Vila Formosa, há 21 anos.

 

Cuidando da obra
Atualmente, o CE possui 1260 árvores em sua extensão. De acordo com Garcia, a última informação divulgada pelos responsáveis pela obra é de que 36 árvores desse total serão removidas e 185 espécies nativas serão plantadas dentro do terreno, criando um novo projeto de paisagismo.
Com a desativação da piscina, a água continuou a ser tratada para evitar que o local se tornasse foco de criação de mosquitos, depois, a água foi totalmente doada para lavagem das ruas da cidade.
O entulho gerado nas demolições está sendo transformado em brita e cascalho para a nova pavimentação que o espaço receberá. Com ações como estas, os impactos da obra serão minimizados, gerando benefícios para o próprio local.

 

Futuro: Território CEU

A construção do Território CEU Carrão/Tatuapé foi anunciada em março de 2015, e as obras iniciadas em dezembro. Com a chegada da estrutura das unidades do Território CEU, o espaço, que hoje se dedica a oferecer esporte e lazer, passará a integrar atividades nas áreas de educação e cultura.

Atualmente, além do CEU Carrão/Tatuapé, outros sete Territórios CEU estão em construção. A maior parte deles em terrenos da Secretaria de Esporte, Lazer e Recreação, portanto, aproveitando um espaço já existente. Segundo informações da prefeitura: “Os novos CEUs ampliam o conceito original de integração entre programas educacionais, ao possibilitar a integração com outros equipamentos públicos do bairro.”

Alguns equipamentos que os Territórios CEU irão abrigar: um Centro de Educação Infantil (CEMEI); contraturno escolar para implementação do programa Mais Educação; Pronatec; Universidade Aberta do Brasil (UAB); Educação de Jovens e Adultos (EJA); laboratórios; salas de artes; música; cultura digital; estúdio de gravação; biblioteca; cine teatro; piscina coberta e aquecida; quadra poliesportiva coberta; Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e Juventude Viva.

 

Curiosidade

O Esporte Clube Sampaio Moreira foi fundado em 1 de setembro de 1929. O nome do clube homenageia um antigo e grande proprietário de terras no Tatuapé. Os jogos do time continuam sendo realizados no campo do CE Tatuapé.

 

 

por Amanda Santana

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