CERET: Ponto de encontro de 'todas as tribos'

CERET: Ponto de encontro de 'todas as tribos'

O Centro Esportivo Recreativo e Educativo do Trabalhador (Ce­ret), localizado na Zona Leste de São Paulo, tem história.

Antes da década de 1960, foi uma reserva de Mata Atlântica conhecida como Mata Paula Souza. No espaço des­sa reserva era possível colher frutas do pé e tomar banho em uma nascente de água cristalina. O local era habitado por animais selvagens, motivo pelo qual a reserva não ter sido totalmente utiliza­da, evitando o ataque aos visitantes.

No ano de 1970, o ex-jogador de fute­bol Lêonidas da Silva, conhecido como “Diamante Negro”, que atuou em times do Rio de Janeiro, São Paulo e na Sele­ção Brasileira de Futebol, foi uma figura importantíssima para o Centro. Após se aposentar como atleta, foi técnico e dirigente do São Paulo Futebol Clube, comentarista de rádio e funcionário do Departamento do Lazer do Trabalhador, na Secretaria do Trabalho do Estado de São Paulo, exercendo o cargo de diretor do Ceret ao lado de Candinho Neto, presidente da Associação Brasileira de Esportes para Trabalhadores (Abret).

O ex-jogador tinha como meta propor­cionar maior lazer ao trabalhador e, para isso, utilizou sua influência e contou com a gestão de dois governadores, Laudo Natel e Roberto de Abreu Sodré. Em 1970, o então governador Sodré decretou a desa­propriação da Mata Paula Souza para dar início à construção do parque, em 1973.

Na entrada do parque, há a estátua de Davi, réplica da obra de Michelangelo que foi doada pelo governo italiano ao Estádio Municipal do Pacaembu para decorar a sua entrada que, depois, foi retirada do local e levada ao Ceret para receber os frequentadores do Centro.

Em homenagem ao centenário do ex­-jogador Lêonidas da Silva, o Ceret pro­moveu um campeonato de futebol e na entrada do parque foi colocada uma pla­ca, reconhecendo a atuação de Lêonidas com um agradecimento com os dizeres: “Seu trabalho como jogador e dirigente é patrimônio histórico e inspira a continui­dade de nossos esforços na construção de políticas públicas esportivas verda­deiramente consistentes e duradouras e incentiva nossa busca por uma São Paulo mais saudável e mais alegre”.

Uma polêmica, e dúvida entre os fre­quentadores, é o nome do local. Muitos confundem com Parque Anália Franco, Parque Esportivo dos Trabalhadores (Pet), Centro Esportivo, Recreativo e Educati­vo do Trabalhador (Ceret), entre outros. Mohamed Mustapha Mourad, diretor do local desde 2013, explica que até o ano de 2008 o espaço era do Estado e chamado Ce­ret. Mas a partir de 27 de maio de 2008, foi passado aos cuidados da Prefeitura de São Paulo, sendo administrado pela Secretaria Municipal de Esportes, quando recebeu o nome de Parque Esportivo dos Trabalhado­res (Pet), conforme o decreto 53.031.

O diretor conta que o local precisava do nome pelo qual ficou conhecido. “O nome Pet nunca combinou. Todo mundo co­nhece aqui como Ceret. Em reunião com o governador do Estado, nós pedimos a devolução do nome Ceret, que foi devolvi­do, e assim está”, afirma Mohamed.

Então, a partir de 16 de julho de 2014, por meio do decreto 60.654, ficou estabe­lecida a volta do nome Centro Esportivo e Recreativo dos Trabalhadores (Ceret).

O local tem uma área de 286 mil metros quadrados, quatro quadras de vôlei, três campos de futebol, duas quadras de basquete, seis quadras de tênis (duas de saibro), quatro quadras poliesportivas, um campo de rugby, balneário com quatro piscinas, pista de atletismo, ginásio polies­portivo, pista para caminhada e corrida, três salas de ginástica e um playground.

Vale destacar a piscina de 100 metros de comprimento por 50 metros de largu­ra, que armazena cerca de 5,5 milhões de litros de água e está entre as maiores da América Latina.

Para as crianças, diariamente são ofere­cidas atividades como aulas de voleibol, handebol, basquete, golfe e iniciação esportiva com profissionais capacitados. Para participar o responsável deverá ir até o local e matricular a criança. “Nossa ideia é trazer os pequenos moradores do bairro ao Centro, então, se tiver um aluno para o curso, esse aluno terá aula”, garante o diretor do Ceret.

Os usuários que queiram utilizar as de­pendências de ginástica precisam fazer uma carteirinha e exame médico. Para isso, basta apresentar uma foto 3x4, comprovante de endereço e RG. A carteirinha sai na hora e o exame médico pode ser feito no mesmo dia. Já para ter acesso aos campos de futebol e ginásio, a locação é feita por preço públi­co, sendo recolhida uma taxa, repassada para a Prefeitura. As quadras poliesportivas, como a de vôlei e de basquete, e as externas, são abertas ao público.

Para Mohamed, o espaço é amplo e deve ser bem aproveitado. “Eu costumo julgar o

Ceret como um antidepressivo do pessoal da região; lugar ideal para fazer caminhada, ficar mais leve e alegre, é um ponto de en­contro com os amigos”, afirma. Por isso, dia­riamente, o local recebe um grande público. “Em dias de sol, no período da manhã, 8 mil pessoas frequentam o centro e, à tarde, em torno de 9 mil. Aos finais de semana, 30 mil usuários circulam pelo local”, conta o diretor.

Os frequentadores do Centro Espor­tivo realizam diversas atividades físicas no espaço, como caminhadas, corridas e usam as quadras esportivas para prática dos exercícios físicos.

Para a economista Priscila Candela, a troca do muro pelo gradil traz algo que se tem pouco na cidade. “Quase não temos área verde, então a gente passa e olha o parque, observa as árvores e se sente mais parte dele, mais integrada”, afirma. Mesmo assim ela diz que o ambiente ainda pode ser muito melhor aproveitado. “O Par­quinho é excelente, está com brinquedos novos; mas aos fins de semana se torna um local pequeno para a grande demanda de crianças”, contesta a economista.

De geração a geração, mãe e filha, Maria Rosa e Roseli Fátima visitam o Centro pelo menos três vezes na semana. Para elas o local é agradável e ótimo para descansar à tarde. “Trago minha mãe e aproveitamos para ca­minhar; desde a primeira vez que estive aqui, não parei mais (risos)”, conta Roseli.

Centro se renova ao longo da história

Com o passar dos anos, o concreto que cercava o Ceret já não fazia mais sentido. A “queda” do muro foi uma conversa entre os administradores, que viram a necessi­dade de integrar a vasta área verde do local com o bairro e a região. “A ideia foi muito crucificada no início, disseram que o gasto era desnecessário; o que não é verdade. O muro trazia muita insegurança. Então foi feita uma parceria entre uma empresa – que doou as grades - e a Prefeitura – que fez o derrubamento do muro e recolheu o entulho”, explica Mohamed.

Para o engenheiro João Luiz, que vem ao Ceret acompanhar o neto, as mudanças que aconteceram no local foram boas. “O muro era muito feio, ele está aí desde a inauguração do parque, agora está muito melhor”, afirma.

As melhorias não param por aí. Pelos pró­ximos cinco anos, a propriedade terá uma equipe com 15 funcionários trabalhando ex­clusiva e diariamente na parte de jardinagem.

Hoje em dia a manutenção do Centro Esportivo acontece por meio de pedidos da administração, pois não há verba, nem uma conta corrente do espaço. “O pessoal acha que a administração recebe uma verba mensal, mas isso não existe; é público e notório”, afirma Mohamed.

Outro assunto que é muito debatido pelos usuários é a entrada dos pets. De acordo com o diretor, a entrada de cães segue proibida, por ora. “Nós fazemos pi­queniques, há crianças; quando o cachorro defeca no local, há grande contaminação; os pequenos brincam na grama. Não tem como controlar”, conta. Mas, para driblar a situação, a administração trouxe o Espaço Pet, pois “administra para todas as tribos”. O espaço tem mais de 2 mil e 600 metros quadrados específicos para os cachorros com entrada e saída exclusiva para eles. O local foi criado “pensando nos pets”. Por lei, o espaço é proibido, uma vez que o Ceret é um Centro Esportivo e não um Parque do verde. Contudo, ele foi criado.

Sobre tirar fotos no Ceret, Mohamed é categórico. “Há grandes controvérsias so­bre as fotos; qualquer um pode fotografar a propriedade. O que não pode acontecer é fotografar para fins comercias, isso é proibido”. O espaço é público, entretanto, regras como essa diferenciam o Ceret de outros espaços.

Já as bicicletas, patins e skates, em breve, também terão um espaço pró­prio, de acordo com Mohamed. O novo playground, lançado recentemente, foi desenvolvido e adaptado para crianças com necessidades especiais. É o primeiro equipamento do tipo em áreas de lazer públicas do município.

Entre as atrações do Centro está a feira livre, realizada às quintas-feiras, no espa­ço do estacionamento, das 6h às 14h, e é aberta ao público.

Além da feira livre, há outro projeto, em que o Ceret cede o espaço para empresá­rios promoverem a feira gastronômica de “Food Trucks”, trazendo ao público diver­sas opções de alimentos gourmet. A ideia é que o evento se torne mensal.

O Ceret está localizado na rua Canuto de Abreu, s/n°, Vila Formosa, Zona Leste de São Paulo. A entrada é gratuita e funciona de segunda a sexta-feira, das 6h às 0h e, aos finais de semana e feriados, das 6h às 20h. Mais informações pelo telefone (11) 2671- 8788. Com estacionamento no local.

Por:

Colaboradoras Roberta Alves e Sandy Oliveira (estágiarias de jornalismo)
Fotos Kelvin Dantas, Michel Felipe, Sandy Oliveira e Yone Shinzato

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