Colo de vó

Colo de vó

O amor de vó tem cheiro... de pipoca, bolo de chocolate e comida fresquinha.
O amor de vó tem sabor... doce e com tempero todo especial.
O amor de vó tem toque... em forma de carinhos, cafunés e abraços fortes.
O amor de vó tem som... aquela voz tranquila que sussurra ao ouvido as historinhas e canções mais emocionantes.
O amor de vó tem percepção... tudo pode ser visto, ouvido ou sentido com o coração.
A senhora de andar lento, voz calma e semblante cativante sempre foi uma figura especial nas famílias. Responsável por muitos dos momentos de mimos, alegrias e diversões vivenciados pelos netos.
Com ela, aprende-se a caminhar sem pressa, brincar como antigamente, cuidar das plantas, interagir com a natureza, respeitar os animais e muito mais.

A nova geração de vovós assumiu um papel ainda mais presente na vida dos netos. Hoje, muitas são cuidadoras deles e não apenas aquelas a quem eles visitam aos domingos ou durante as férias.
Com isso, os netos passam a suprir a solidão que vem após os filhos crescerem e saírem de casa.
A avó ganha companheiros para suas tardes e uma nova chance de agir como mãe, desta vez com mais tranquilidade e menos responsabilidades.
Os netos ganham serenidade e conhecimentos que só quem já viveu tanto é capaz de transmitir. Sem falar nos cuidados e ensinamentos que seus pais um dia receberam, agora repassados do mesmo jeitinho.
Sua presença é aconchegante e fundamental, afinal, quem mais seria capaz de contar às crianças como seus pais foram um dia?
Ela equilibra a vida afetiva e emocional dos netos, mas principalmente cumpre o papel de toda vovó: dar amor.

Tudo de bom
Profissionais geriatras e psicólogos reconhecem que a convivência entre avós e netos é benéfica na terceira idade, pois a presença deles estimula a cognição e vitalidade dos idosos.
Os estímulos feitos principalmente pelas crianças previnem ou melhoram os quadros de depressão, além de retardarem outros problemas de saúde comuns na terceira idade.
A convivência com os netos ajuda muitas avós a superarem suas limitações, porque a vontade de agradar aos pequenos faz com que elas encontrem força e um jeitinho próprio de lidar com sua própria condição física.
A emoção ao olhar para o neto pela primeira vez foi um dos momentos mais especiais vividos pela aposentada Aurea Rodrigues, 68 anos, a avó do Vinicius, 7 anos, e da Ana Clara, 2 anos. “Amor de vó é tudo de bom. A gente ama o filho da gente, mas com o neto o amor parece que esse amor é maior porque se multiplica”. É como dizem: ser vó é ser mãe duas vezes.
Coruja e preocupada, dona Aurea conta que quando o primeiro neto nasceu ela dedicou-se integralmente a ele e teve sua vida mudada a partir daquele momento. “Mudou tudo. Cuidei dele desde os primeiros meses até os 3 anos para a mãe dele poder trabalhar. Neste período, eu esqueci até de mim para cuidar dele. Dediquei meu amor só para ele”, conta.
Ela reconhece que valeu cada momento junto ao neto. A alegria que ele a proporcionou foi maior do que o cansaço do dia a dia. Mas depois veio o momento de desapegar-se, assim como um dia foi com seu filho. “Quando ele passou a ir para a escola, eu senti muito a falta dele. Eu quase entrei em depressão”, diz.
Aos poucos, ela se acostumou com as visitas aos fins de semana e hoje novamente ajuda nos cuidados com o neto, ficando com ele à tarde depois do horário de aula até a volta dos pais do trabalho.
As visitas dos netos aos sábados e domingos é sempre esperada e festejada por dona Aurea. “Às vezes estou chateada e eles chegam, são a minha alegria. O fim de semana sem eles é chato. O que eu posso fazer de bom eu procuro fazer para agradá-los.” Pipoca, cuscuz com leite e macarrão com salsicha são as preferências do neto Vinicius. Escolhas simples, mas que deixam claro que o amor de vó é que torna a comida toda especial.
A aposentada tem a visão limitada devido a problemas visuais desde a juventude e por isso sua capacidade de leitura foi prejudicada. “A Clarinha fala ‘vovó lê uma historinha para mim’. Eu fico triste porque eu não consigo ler para ela. Mas daí o avô lê para ela. Ela ama o vovô também.” Apesar disto, não falta carinho e atenção da vovó para Ana Clara: “Brinco com ela e as bonecas. Ajudo a dar os nomes a elas, dar banho, dar comida... ajudo ela em tudo que posso.”

Avó de adolescente
A vida toda, as avós cumprem aquele papel de confidente para os netos. Contudo, isto torna-se mais forte na adolescência deles. Nesta fase, há certa resistência por parte de alguns jovens em dialogar certos assuntos com os pais, por isso preferem compartilhá-los com a avó.
É justamente aí que o amor de vó faz toda a diferença. Os conselhos dela normalmente são ouvidos com mais atenção e melhor aceitos, porque não há aquele ar de cobrança e pressão que os jovens, às vezes, percebem nas conversas com os pais.  
Ela é o ponto de apoio em momentos difíceis e para aqueles segredinhos que só a vó sabe guardar.
Dúvidas quanto a situações novas na vida, insegurança na autoestima e até relações amorosas são compartilhadas pelos netos com elas, que sempre estarão dispostas a ouvi-los e aconselhá-los.  

Responsabilidades
Mesmo contando com a ajuda da avó da criança, há momentos em que os pais devem assumir as rédeas dos cuidados com os filhos, entendendo que é tarefa deles e não da avó resolver certas questões.
Isso quer dizer que nem tudo deve ser delegado à avó. Além de cumprir seu papel, os pais devem manter-se o mais próximo possível dos filhos para que os laços afetivos sejam fortalecidos e as crianças não sofram com sua ausência. A preocupação das avós pode até ser igual a dos pais, mas os filhos precisam ter a segurança de que eles estão e estarão sempre por perto.
Nos momentos de imprevistos e dificuldades, elas reagem com senso de urgência e prioridade. Aurea conta que passou por um momento de grande preocupação quando o neto Vinicius tinha dez meses. “Um dia, ele amanheceu muito doentinho. Ele só dormia e não comia. Os pais dele estavam trabalhando. Entrei em desespero. Mas eu liguei para a mãe e ela o levou ao médico. Quando chegou lá, o médico primeiro suspeitou que fosse meningite. Graças a Deus não era, pois foi apenas uma virose.”
Os filhos também devem estar atentos ao cansaço e desgaste que a avó possa estar sentindo diante da rotina com os netos. De forma a respeitar o bem-estar dela e não sobrecarregá-la, compreendendo que o ritmo na terceira idade não é o mesmo dos pais.
A vó sempre defenderá o neto diante de qualquer situação. Isto é fato. Faz parte de uma espécie de “manual de amor de vó”. Mas há certos limites que ela precisa respeitar para não interferir na autoridade dos pais. Saber manter a disciplina colocada por eles é um dos pontos a ser respeitado, para isso ela deverá orientar os netos a cumprirem as regras.
Nos momentos de travessura, aquelas broncas mais severas e orientações mais delicadas sempre serão feitas pelos pais. Pois qual avó consegue dar uma bronca nos netos? Por isso, a firmeza dos pais ao conversar com o filho é fundamental. Afinal, o papel do amor de vó é ser protetor e acalentador.

 

 

por Amanda Santana

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