condomínio

enxuto

Quando o dinheiro encurta (ou as contas crescem demais), a regra é repensar gastos. Nos condomínios não é diferente. Contra a explosão da taxa de condomínio, moradores pressionam para pagar menos, mesmo que signifique a perda de comodidades.
Entre as estratégias sugeridas nas assembleias para evitar o aumento excessivo das taxas estão abrir mão da piscina durante a semana no inverno e adiar aquela obra que não é urgente.
Outra medida eficaz é renegociar os contratos de terceirizados, como o de empresas de jardinagem ou de segurança. Como a procura por esse tipo de serviço está baixa, as empresas estão mais dispostas a oferecer descontos para manter o prédio como cliente.
“A taxa de condomínio aumentou muito e tende a subir mais”, diz o advogado especialista em condomínios Marcio Rachkorsky. “Não existe solução mágica, é preciso que síndicos e moradores se juntem para repensar gastos e cortar onde for possível.”
Ele diz, no entanto, que a participação dos condôminos em assembleias cresceu, o que é decisivo na busca do equilíbrio das contas e da manutenção da qualidade de vida no condomínio.

Revisão de contratos ajuda a frear custos de condomínio;


veja outras medidas


O condomínio Poema Granja Julieta, na zona sul de São Paulo, organiza todos os anos uma festa junina para os moradores.
“Neste ano, quando vimos que a verba para a festa não seria suficiente, reunimos uma comissão e corremos atrás de patrocinadores”, conta o representante comercial Paulo Ferreira, 42.
Os moradores, então, negociaram descontos com fornecedores e trabalharam como voluntários. E a prática se alastrou para outros campos.
“A gente também renegociou contratos de jardinagem, limpeza da piscina, segurança e até da empresa que presta serviço de assessoria esportiva para os moradores.”
Bruno Fernandes, da Natural Sport, empresa que presta serviços no condomínio, diz que precisou se esforçar mais para convencer os moradores de que as atividades esportivas mereciam ser mantidas. “Em tempos de crise, os serviços de esporte e lazer são os primeiros a serem cortados”. Ele diz não ter perdido alunos, mas que a procura de novos condomínios pelo serviço diminuiu.
O aumento dos condomínios foi de 7,25% nos últimos 12 meses até abril, segundo o Ipevecon, índice que acompanha a evolução da taxa – contra variação do IGP-M de 3,54% no período.
A taxa de condomínio costuma ser mais cara em edifícios de porte médio, já que há menos unidades para dividir as despesas. Uma alternativa, nesses casos, é priorizar gastos e executar apenas os projetos mais urgentes.

Gastos “racionais”
Segundo Eduardo Zangari, da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), os prédios já vinham cortando gastos desde a crise hídrica. Alguns deles estenderam as medidas para obter uma gestão enxuta.
“É possível racionalizar a folha de pagamento, fazer com que funcionários com funções parecidas não trabalhem no mesmo horário e que evitem horas extras.”
Segundo Marcio Rachkorsky, advogado especialista em condomínios, os moradores estão testando fórmulas.
“Ao invés de renovar o contrato com uma empresa que fornece mensageiros, eles transformam em ‘pay-per-use’ e paga só quem realmente quer o serviço”.
No condomínio-clube da dona de casa Lucia Elena Rezende, 50, em São Caetano, na Grande São Paulo, a piscina ficará fechada no inverno, por economia.
Segundo ela, porém, decidiu-se manter alguns serviços “pay-per-use”, como salão de beleza, porque a procura aumentou. “Sai mais caro lá fora”, diz.
Inadimplente deve negociar taxa de condomínio; veja como
A maior dificuldade em pagar as contas se reflete diretamente na cobrança de condomínio.
Isso porque o número de ações de cobrança subiu cerca de 29% nos primeiros cinco meses do ano, na comparação com 2014, segundo dados da Aabic (Associação de Administradoras de Condomínios de São Paulo).
Fábio Kurbhi, vice-presidente da entidade, aconselha ao condômino que tem dificuldade em manter as contas em dia a propor reduções de gastos.
“Em alguns condomínios, moradores têm sugerido diminuir o número de dias em que a empresa terceirizada vem cuidar do jardim”.
A esteticista Clara, 28 (o nome é fictício, a pedido da moradora), deixou atrasar dois meses do condomínio em que vive na zona sul de São Paulo. Ela perdeu o emprego e agora renegocia a dívida. “A gente vai apertar o cinto para não prejudicar o prédio e os vizinhos.”
Segundo especialistas, a inadimplência subiu neste ano, mas o número de acordos também aumentou. A maioria dos atrasados opta por pagar o que deve em parcelas, evitando que o problema chegue à Justiça.
Alessandro Albaladejo, 37, síndico de um edifício em São Bernardo do Campo, conseguiu baixar a inadimplência de 30% para 7% com a convocação do devedor para renegociar.
“Também reduzimos despesas. Economizamos de 20% a 30% ao instalar lâmpadas LED.”

 

por Douglas Gavras/Folhapress (de São Paulo)
arte adaptada/Folhapress

Compartilhe este Artigo