À espera de oportunidades

À espera de oportunidades

Mês a mês, o número de desempregados no Brasil só aumenta. Desde o início do ano passado, não houve retração da taxa de desocupação. Até mesmo o mês de novembro, que costuma ser mês de contratações, em 2015, foi de demissões.
O fato mais preocupante é que as estimativas para 2016 continuam negativas. Isto quer dizer que este número deve crescer ainda mais. Há previsões de que o número de desempregados continue aumentando até superar os 10 milhões, e a taxa de desocupação alcance 10% ainda no primeiro semestre deste ano.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), calculada pelo IBGE, no último trimestre móvel do estudo, que compreendeu os meses de novembro a janeiro, havia mais de 9,6 milhões de desempregados, atingindo a taxa de 9,5%. Um aumento de mais de 500 mil pessoas se comparado ao trimestre móvel anterior, agosto a outubro, quando eram 9,1 milhões, com a taxa de 9%. Este foi o recorde registrado pela Pnad, desde a sua criação em 2012.
O aumento do desemprego foi bastante expressivo também traçando um paralelo com o período de novembro de 2014 a janeiro de 2015, quando a taxa estava em 6,8%.
A situação do mercado de trabalho no Brasil é reflexo de uma crise que atingiu diversos setores da atividade econômica, inclusive os mais representativos: indústria, comércio e serviços. Pequenas, médias e, até mesmo, grandes empresas estão demitindo, por dificuldades financeiras ou para se precaverem, pois estão diante de previsões ruins e de um futuro incerto.
Na visão de André Ribeiro, consultor de carreira da Produtive, consultoria de outplacement, o mercado de trabalho está atípico, pois as empresas estão com receio de fazer grandes investimentos, refletindo em certa estagnação. Há empresas diminuindo operações ou encerrando as atividades, mas poucas se arriscam em realizar ampliações de sua capacidade produtiva.
“Percebo diversos movimentos atualmente. O mais intenso é o de substituições de funcionários em prol de mais performance individual e reduções de custos na folha de pagamento para as posições de áreas de apoio”, diz Ribeiro.
O consultor da Produtive enxerga que o mercado está favorável a posições de desenvolvimento de negócios, isso porque a necessidade das empresas em gerar receita força a busca de profissionais com domínio do seu mercado e maior capacidade de gerar faturamento no curto prazo. “Abre-se também espaço para as movimentações de profissionais de alta gestão nas empresas, capazes de realizar turn a round e principalmente resgate e manutenção de receita.”

Dificuldades na recolocação profissional
A parcela da população que está desempregada é formada principalmente pelos profissionais demitidos no último ano. Com o agravamento da crise econômica, o tempo médio para recolocação profissional já ultrapassa seis meses, podendo chegar a um ano, dependo da área em questão.
Para o consultor de carreira da Produtive, os profissionais mais afetados pelo desemprego são os que foram demitidos e estão com a remuneração inflacionada em relação ao cargo que ocupam. Para que estes possam se reposicionar se submetem a remunerações inferiores ou optam em encontrar fontes alternativas para a geração de renda.
Aqueles que perderam o emprego porque seu segmento de atuação está em crise e apresenta pouca ou nenhuma opção de contratação também estão entre os que mais sofrem com o desemprego, de acordo com Ribeiro.
Os profissionais com curso superior têm sido a faixa da população com maior índice de demissões. De acordo com números do IBGE, em janeiro deste ano, de cada dez desempregados, seis estudaram 11 anos ou mais.
De 2014 para 2015, o desemprego aumentou 45% nessa faixa de profissionais. Já entre as pessoas com menos de oito anos de estudo a taxa subiu 38%, e entre os trabalhadores que têm de 8 a 10 anos de estudo, o aumento foi de 37%.
Muitos deles estão recorrendo a trabalhos informais ou abrindo seus próprios negócios. Segundo uma pesquisa do Sebrae, o empreendedorismo por necessidade saltou de 29%, em 2014, para 44%, em 2015, devido à crise econômica.
A Pnad também aponta o aumento de 2,8% na categoria por conta própria, de agosto a outubro de 2015, o que representa 622 mil pessoas.
Os novos empreendedores brasileiros têm muitos desafios a serem superados no mercado. Por isso, devem buscar apoio de instituições como o Sebrae, de forma que o dinheiro investido no negócio não seja perdido por falta de habilidade em lidar com as questões empresariais, que são bastante complicadas no país.
Outro fator que agrava a taxa de desocupados é o aumento no número de pessoas dispostas a trabalhar, que podem ser tanto pessoas que desejam voltar ao mercado de trabalho quanto as que ingressam pela primeira vez. O motivo é a queda no orçamento familiar e a consequente necessidade de mais pessoas complementarem a renda. Neste foco, estão as donas de casa, idosos e jovens, por exemplo.
Com isso, o mercado de trabalho não consegue absorver o número de pessoas em busca de emprego.  
Ao que tudo indica os caminhos que o Brasil deve seguir para conter o aumento do desemprego ainda serão longos. Para o consultor da Produtive, o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) aprovado pelo governo é insuficiente para resolver a questão. “O mercado privado é reativo, ou seja, pouco pode fazer algo para conter o crescente índice de desemprego. A solução depende do fim da crise política em primeira instância, para que o natural otimismo brasileiro volte ao mercado e, junto com ele, as empresas possam voltar a investir”, opina Ribeiro.

Dicas para quem está desempregado
por André Ribeiro, consultor de carreira da Produtive

Readeque os custos familiares frente à nova situação e corte gastos desnecessários;
Trace um plano de busca de um novo emprego e tenha foco na execução deste plano;
Mantenha a tranquilidade ao participar dos processos seletivos e evite a ansiedade;
Procure apoio em suas conexões, sejam profissionais sejam pessoais, para que você possa identificar oportunidades e contar com referências sobre suas experiências e competências.  

 

Amanda Santana

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