A força do amor

a força do amor

Amor. Uma palavra tão pequena e com grandes significados. Sentir afeição, desejar o bem, fazer o bem, cuidar, proteger, entre tantos outros. Nem mesmo os estudiosos da língua portuguesa conseguiram encontrar uma definição única para a palavra. Ao consultar qualquer dicionário de renome, tem-se à disposição uma lista de explicações.
Mas se nem mesmo nos dicionários é possível encontrar objetivamente seu significado, como podemos querer entender a palavra amor? Devemos, então, apenas sentir e vivenciar tudo aquilo que a palavra representa.
Se as definições existentes nos dicionários já nos fazem pensar sobre o assunto, a conjugação do verbo relativo à palavra também é capaz de gerar reflexão. Amo? Amas? Ama? Amamos? Amais? Amam?
Amor. Ora é sentimento, ora é ação. É certeza, mas pode ser dúvida. Traz paz, mas pode trazer inquietude. Cura, mas pode fazer adoecer.
Diante de tantos significados e reflexões que a palavra amor contém, o que deve prevalecer é a liberdade de senti-lo e vivenciá-lo a nosso próprio modo. Afinal, ainda que houvesse uma definição exata para a palavra, cada um entenderia, sentiria e viveria o amor de uma forma.

Vivendo o amor
O maior amor do mundo. Esta é, sem dúvida, a definição mais recorrente para o amor de mãe. Todos já ouvimos esta frase inúmeras vezes, mas nem todos somos ou seremos capazes de um dia entendê-la. Afinal, só quem é mãe sabe.
A mulher cultiva este sentimento desde o momento em que sabe da existência de um ser em seu ventre. Aos poucos, começa a compreender sua imensidão.
Porém, o amor de mãe vai muito além do sentimento, é visto na prática, no dia a dia. Ele está presente nos cuidados, na dedicação e na renúncia da própria vida.
O maior amor do mundo é também o mais puro, verdadeiro e duradouro. É para toda a vida!
Enquanto sentimento, o amor atinge a todos que se permitem percebê-lo. Assume sua forma mais intensa na relação entre pais e filhos. Mas está presente na cumplicidade entre amigos e no compartilhamento entre duas pessoas.
Há amor entre o ser humano e a natureza. E ainda a comovente forma de amar os animais de estimação. Outras formas de amor são também fundamentais: ao próximo, a si mesmo, à vida.
Este sentimento mostra a sua força quando vivido, transmitido e compartilhado em qualquer momento da vida. Não é só na alegria e na paz que o amor se manifesta, mas principalmente nas dificuldades e inquietudes.
A força do amor permite superar as incertezas, a distância e tantas outras dificuldades, como veremos nas histórias a seguir.

Histórias de mãe
A empresária Rafaela Carvalho, 31 anos, hoje escreve sobre a experiência de ser mãe em seu blog A.Maternidade. Mas da primeira gestação aos primeiros textos publicados uma bagagem de vida foi formada.
A primeira gestação, aos 18 anos, foi “uma montanha russa de sentimentos”, como ela mesma define. Para Rafaela, esta experiência representou “a plenitude do encontro com o maior amor do mundo, misturado com insegurança, medo e muita pressão”.
A experiência de ser mãe pela primeira vez é sempre cercada pela pressão destacada pela empresária. Tanto a que a mãe deposita em si mesma, quanto a que a sociedade impõe sobre ela.
Mas a maternidade é também uma soma de ensinamentos que ajudam a superar qualquer medo ou insegurança, após isso a mulher descobre-se como mãe e pessoa. “A maternidade foi um divisor de águas na minha vida. Experiências que me lapidaram para que eu me tornasse um ser humano melhor”, diz.
A empresária conta que as primeiras experiências maternas mudaram a sua forma de enxergar a vida, sobretudo em relação à sua fé em Deus. “A fé que vem do fundo do coração, que brota no peito quando eu imploro para que meus filhos estejam sempre em proteção. A fé que tenho ao suplicar que qualquer mal que possa atingir os meus filhos seja desviado para mim. A fé em sua real magnitude.”
Hoje, ela é mãe de Caetano (12 anos), Dominic (1 ano e 10 meses) e Zara (9 meses), e vê a maternidade como um desafio diário. “Quando nasce um filho, nasce também esta nossa mania de achar que podemos carregar o mundo nas costas. Este é o nosso desafio diário”, explica.
Mas Rafaela ressalta que é importante entender que as mães não são e nem precisam ser super-heroínas. Por isso, com o tempo, toda mãe deve aprender a lidar melhor com as cobranças e com as diversas situações de vida que surgem todos os dias, conscientes de que não há mal algum em “errar, deixar algo para amanhã, pedir ajuda”.
A decisão de escrever sobre a realidade da maternidade veio após a blogueira notar que a grande maioria dos blogs sobre o assunto descrevem a maternidade como um mundo maravilhoso de felicidade plena, com crianças, mães e pais felizes 24 horas por dia.
“Queria mostrar que a vida não é assim, como um comercial de margarina. A maternidade é difícil para caramba. Queria narrar a maternidade como ela é. Com altos e baixos. Momentos maravilhosos e momentos em que queremos sair correndo pelo mundo”, diz a empresária.
Ao tratar o assunto sob um ponto de vista, às vezes, menos romantizado e mais fiel à realidade, a autora do A.Maternidade consegue proximidade com as mães. Isso ajuda a tranquilizá-las, mostrando que as experiências vividas por todas são quase sempre iguais. “Mesmo achando que estamos fazendo tudo errado, com certeza estamos no caminho certo.” Caminho cheio de desafios mas repleto de amor.

 

“Amor de mãe é doação. Doação do seu corpo, da sua alma, do seu tempo e do seu coração.
Amor de mãe é não esperar nada em troca. É sentir a felicidade plena no sorriso de outro ser. É fazer tudo que está ao seu alcance e sempre achar que poderia ter feito mais.
Ser mãe é ter um espaço no coração preenchido, sem que você jamais tivesse percebido que um dia este espaço estava vazio.
Amor de mãe é se reinventar como ser humano. É tentar trazer o melhor de si. É ter compaixão, ter fé e ter garra.
Amor de mãe é o que move a humanidade.”

Rafaela Carvalho, empresária e autora do blog A.Maternidade

 

Tipos de Amor

O amor enquanto tema foi amplamente estudado pela filosofia. Apesar de existirem diversas definições nos estudos dos principais filósofos da história, ao menos três tipos são citados com frequência: Eros, Philia e Ágape.
O amor Eros é o dito amor romântico. No qual há desejo de unir-se a outro ser, ou seja, a outra metade. Por isso, normalmente está associado à paixão e ao lado sexual do ser humano. Facilmente desperta os sentimentos de sofrimento e carência, porque como espera-se a plena união, o desejo nunca é satisfeito por completo.
Este é o tipo mais mutável de todos, não apenas porque a paixão romântica diminuiu ou passa com o tempo, mas porque ele pode evoluir para o amor Philia.
A palavra Philia, de origem grega, significa amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais, segundo definição dada por Marilena Chaui, em seu livro Convite à Filosofia (2000, p. 19).
Tomando a palavra amizade como definição mais objetiva, o amor Philia é compreendido como o desejo de compartilhar a companhia do outro e de fazer o bem ao outro. Como comentado, pode surgir a partir do amor Eros: “Passada a paixão romântica, restaria a paixão aristotélica”, como Maria de Lourdes Alves Borges explica no livro Amor (2004, p. 10).
A referência da autora a Aristóteles se deve à obra Ética a Nicômaco, na qual o filósofo aborda este tipo de amor. Na obra, é definida a existência de três “espécies” de amizade, sendo duas imperfeitas – uma por conta da utilidade e outra por causa do prazer que a amizade representa – e uma perfeita, ou seja, o grau máximo da Philia.
Sobre a amizade perfeita, Aristóteles discorre no trecho: “A amizade perfeita é a dos homens que são bons e afins na virtude, pois esses desejam igualmente bem um ao outro enquanto bons, e são bons em si mesmos”(1984, p. 181-182).
Na forma Philia, espera-se reciprocidade e esta é a principal característica que a difere do amor Ágape, também conhecido como Caritas.
O amor Ágape é mais próximo do Philia do que do Eros. Consiste na capacidade de amar, fazer o bem, sem esperar nada em troca. É sem interesse e generoso. “É um amor de benevolência, porém não a uma pessoa em particular, mas por toda a humanidade”, explica a mestre em filosofia Maria de Lourdes (2004, p. 11).
Relacionado à caridade, é também visto como amor divino. Foi abordado por Kant e por diversos autores cristãos, como o padre Marcelo Rossi.
O religioso é autor do livro Ágape, que logo em sua introdução esclarece: “Ágape é uma palavra de origem grega que significa o amor divino. O amor de Deus pelos seus filhos. E ainda o amor que as pessoas sentem umas pelas outras inspiradas nesse amor divino” (2010, p. 12).

 

Presente de Deus

O pedido que a psicóloga Pâmela Ramos Peyneau, 28 anos, fez a Deus em suas orações um dia foi atendido... Foi nos corredores da universidade em que estudava que ela notou um rapaz que tinha as características do homem dos seus sonhos. “No meio de tanta gente parecida, surge o Pedro, um negão alto, andando todo exibido”, conta.
Da primeira vez que ela viu Pedro Alex dos Santos, 32 anos, administrador, até a primeira conversa levou cerca de um ano. Tempo em que ela timidamente o observava passando pelos corredores da universidade.
“Eu lembro a primeira vez que eu vi a Pâmela. Cheguei no Mackenzie à tarde, aí eu vi uma mulher linda com os cabelos cacheados passando por mim. E o que mais me espantou é que ela estava me olhando também”, relembra Pedro.
No mesmo dia, ele foi ao auditório da universidade assistir a uma apresentação do coral. “Quando entrei na sala onde o coral estava cantando, quem estava lá cantando e começou a fazer um solo? A Pâmela.”
Um tempo depois daquele dia, passando pelos corredores da universidade, Pedro a encontrou novamente e naquele momento rapidamente puxou assunto: “Você canta, eu te vi cantando”. Assim, mais uma vez a música os aproximou.
Após a primeira conversa, Pâmela percebeu que o Pedro tinha outras características do homem dos seus sonhos: ele cantava e era cristão.
Depois de muitas conversas e “enrolações”, aconteceu o primeiro encontro marcado e também o primeiro beijo. Mas logo veio uma sequência de desencontros, e em seguida ele foi morar fora do Brasil por quatro meses.
Apesar de terem ficado sem contato por um longo tempo, um dia o Pedro voltou a ligar para Pâmela. Mesmo com um convite para sair feito em um domingo à noite, ela topou. Havia certa desilusão e nenhuma expectativa por parte de Pâmela, pois ela imaginava que após saírem ele sumiria novamente. “Mas, eu queria aquilo, valia a pena sentir aquele beijo e aquele abraço de novo!” E tudo foi encantador como na primeira vez que saíram juntos.
 
A terceira vez que se viram demorou mais de um mês para acontecer, mas foi igualmente especial. “Ele foi desde então Meu Lindo, como vai ser para sempre. Valeu cada lágrima, cada espera”, diz Pâmela.
O casal começou a namorar em janeiro de 2011, e dois anos depois veio o pedido de casamento. Sabendo da paixão que a namorada tinha pelo pôr do Sol, em uma tarde em que passeavam, Pedro chamou a atenção dela para o fato de nunca terem visto um pôr do Sol juntos e propôs que fossem em busca de um lugar para apreciar este espetáculo da natureza.
O cenário escolhido foi o Parque Ibirapuera. “Na beira do lago, ele me abraçou, então, de repente, começou o show no céu alaranjado. Enquanto isso, ele começou a relembrar nossa história, os detalhes… enquanto o Sol ficava mais avermelhado e descia… até que ele pegou um anel desses solitários com brilhantes e perguntou: ‘Quer casar Comigo?’.”
Em outubro de 2015, foi realizado o casamento e, no meio da festa, o Pedro cantou uma música para Pâmela. Uma composição que ele havia criado na noite anterior. “Ele disse, antes de cantar, que esse era o sonho dele, cantar uma música de sua autoria no dia do casamento”, conta a psicóloga.
A certeza da presença de Deus na história do casal é algo que permanece até hoje. “Desde o namoro até hoje, é o amor de Deus que nos une, sem dúvida! Logo no começo do namoro, quando tínhamos algum problema, o Pedro pegava na minha mão para orar. Vivemos pequenos e grandes milagres diariamente. É a força do amor verdadeiro, que vem de Deus, em nossa vida”, conclui Pâmela.  

 

Cartas de amor

Aos 18 anos, Terezinha morava no Espírito Santo. Um dia, o primo dela, que morava em São Paulo, enviou-lhe uma carta. Junto a esta, havia também uma carta e uma foto do amigo dele, David, com 29 anos, se apresentando à jovem. A partir daí uma história de amor começava.
“Me senti surpresa e sem saber o que fazer, afinal naquela época era algo inusitado”, conta Terezinha Batista da Silva, 59 anos, do lar, sobre a primeira vez que recebeu uma carta do seu marido David Lopes da Silva, 70 anos, aposentado.
Apesar da indecisão sobre o que fazer, ela escreveu de volta ao primo e pediu-lhe mais informações sobre o amigo dele. Ao receber a resposta da primeira carta, David “sentia que deveria continuar escrevendo, e que valia a pena tentar conquistá-la”.
As conversas por carta, então, continuaram. A cada nova carta que chegava, Terezinha sentia um misto de sentimentos. “Suspense, satisfação e dúvida se deveria continuar mantendo contato, afinal era uma pessoa que eu não conhecia, tinha como referência apenas o que meu primo falava.”
Da primeira carta ao primeiro encontro lá se foram oito meses. David foi até a casa de Terezinha, no Espírito Santo, acompanhado pelo primo dela. “Foi apenas um fim de semana, mas pudemos conversar e nos conhecer melhor. De cara ele conseguiu conquistar minha avó, que já era apaixonada por ele apenas pela foto e me incentivava muito. Após conhecê-lo pessoalmente, mais ainda. Eu gostei também, mas ainda mantive o pé atrás”, diz.
Terezinha e David continuaram o relacionamento à distância, sempre por meio de cartas, por mais dois anos. Um tempo depois da primeira visita, ele voltou para passar as férias dele com ela. Os 15 dias em que ele esteve por perto passaram rápido. Como ela trabalhava, eles tiveram poucos momentos para estarem juntos.
Na terceira vez em que David foi visitá-la, eles noivaram. Na visita seguinte, resolveram a questão da documentação para o casamento. Sobre a decisão de casarem-se, Terezinha conta: “Desde o início deixei claro que só ficaria noiva por no máximo seis meses, então se ele quisesse algo de verdade não adiantaria ficar me enrolando.”
Na quinta vez em que David foi ao Espírito Santo, casou-se com Terezinha. “Ele pediu minha mão em casamento, noivamos em dezembro e casamos em junho, exatamente seis meses após o pedido”, conta. Após o casamento, ela mudou-se para São Paulo para iniciarem a vida conjugal. Finalmente, juntos!
Para o casal, o que de melhor esta história de amor trouxe para a vida deles foi a linda família que formaram juntos. “Nossos filhos, Flávia (36 anos), Fabio (33 anos) e Fabiana (21 anos), e nossa neta Isabella (13 anos).” Além disso, há a certeza de que a história de vida dos dois, permeada de altos e baixos, os fortaleceu e os mantêm unidos até hoje.
Refletindo sobre sua história, Terezinha acredita que o relacionamento à distância foi motivado não só pela curiosidade em conhecer David, mas também pelo encantamento pela forma como ele escrevia. “Havia a a curiosidade de conhecê-lo melhor e saber o que poderia sair dessa história, e ele era extremamente romântico. Nos sete primeiros meses em que estávamos casados, em todo “mesversário” de casamento ele me trazia flores.”
O segredo para manter o relacionamento até hoje? Terezinha revela: “Respeito acima de tudo, além da vontade de querer permanecer junto e manter a família unida, tentando manter, a cada queda, a boa convivência.”

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REFERÊNCIAS
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural, 1984. Coleção os pensadores.
BORGES, Maria de Lourdes Alves. Amor. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.; 2004. Coleção Filosofia Passo-a-passo.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática Ed., 2000.
ROSSI, Padre Marcelo. Ágape. São Paulo: Globo Ed., 2010.

 

 

por Amanda Santana

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