Geração que chega aos 35 anos pesa se valeu a pena pular de empregos

Geração pesa se valeu a pena pular de empregos

Os primeiros integrantes da cha­mada geração Y, dos nascidos entre os anos 1980 e 2000, estão chegando aos 35 anos. Desapegados e desenvolvendo a carreira em uma década de queda no índice de desem­prego, muitos deles pularam várias vezes de trabalho. Agora, pesam se a melhor decisão foi se casar com uma empresa ou navegar no mercado.

Felipe Soller, 32, começou a carreira como atendente de telemarketing em 2000, em uma rede de hotéis. Lá, inse­riu-se no setor de eventos e pulou de emprego até 2004, quando foi para uma grande empresa de bebidas voltada a jovens. Em 2008, trocou a vaga por tra­balhos freelance. “Mudar de emprego me deu experiência para minha produtora de eventos, mas, se eu tivesse me fincado em alguma, provavelmente seria gerente”. Hoje, ele trabalha com marketing para uma empresa de cigarros.

Desde 2000, Soller passou por cinco empresas, além dos freelances, um núme­ro não tão alto para a geração Y. “Não é raro encontrar um profissional de 35 anos que passou por dez empregos”, diz Ricar­do Haag, gerente-executivo da empresa de recrutamento Page Personnel.

Segundo Haag, até cinco anos atrás o mercado esperava que o funcionário cumprisse um ciclo de ao menos três anos para cumprir as fases de adap­tação, desenvolvimento de projetos e entrega dos resultados. Ele afirma que hoje o ciclo é mais curto e, muitas vezes, não é cumprido.

Segundo a pesquisa “Geração Y e o Mundo do Trabalho”, da empresa de recrutamento Hays, que entrevistou mil brasileiros desse grupo, o que traz satisfa­ção no trabalho para 49% dos entrevista­dos é aprender e desenvolver oportunida­des. E, para 48%, o que satisfaz é se sentir valorizado e apreciado.

“Para a geração Y, trocar de emprego é, muitas vezes, uma decisão emocio­nal. As empresas que se dispuserem a conversar sobre isso terão funcionários fiéis”, afirma Eline Kullock, especialista em conflitos de gerações.

ATRAPALHA?

Uma pesquisa da empresa de recrutamento Robert Half que ouviu 1.185 diretores de finanças em nove países mostra que, para 53% dos gestores brasileiros entrevistados, é provável que um candidato com muitas passagens curtas no currículo seja eliminado de processos seletivos.

Haag diz que trocar de emprego é saudável, mas mudar muito é ruim aos olhos dos recrutadores, principalmente em empresas que não têm o perfil agressivo. “Se um funcionário muda de emprego a cada ano, o que eu posso oferecer para que ele fique na minha empresa? Mais dinheiro, mais desafios?”, diz.

Formado em administração em 2005, Marcos Paulo Pereira Perfeito, 35, traba­lhou em quatro empresas e foi sócio de três – uma casa noturna, uma produtora de áudio e uma importadora – em dez anos, além de lecionar marketing.

“Nossa geração resolveu buscar não só recompensa material. Não queremos nos frustrar, ser maquinistas desde os 18 anos até nos aposentarmos”, diz.

Natasha Patel, diretora do escritório de São Paulo da Hays, diz que “ter muitas mudanças de emprego não é um fator de preocupação se há uma lógica nos movimentos”.

Perfeito diz que sua trajetória variada permitiu que conseguisse, em 2014, um cargo como gerente em uma multinacio­nal de marketing digital. “Nunca vi um executivo que seja só de uma área”.

Apesar de inquietos, há integrantes dessa geração que ficam mais tempo em um mesmo trabalho. Amanda Mon­ te Alto, 31, trabalha há sete anos em uma empresa de recursos humanos em Campinas e hoje é gerente.

“Quando entrei na empresa, falei: 'Vou ficar dois anos para juntar dinheiro e viajar para o Canadá”. Mas eu gostei de desenvolver grandes projetos e compare­cer a cursos de RH", conta.

Apesar disso, ela deve largar tudo neste mês e começar uma carreira nova. “Comecei a estudar direito em 2009 inspirada pela minha chefe e quando vi uma amiga advogada falando com paixão e conhecimento da área jurídica. Me encontrei”.

Ela deve deixar o emprego no fim do mês para fazer um curso de conciliadora e estagiar. Seu sonho, entretanto, é outro: ser delegada.

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