Força feminina

Histórias de mulheres de destaque no bairro

As mulheres desempenham um papel de destaque na sociedade atual. A força que carregam consigo as tornaram exemplos de superação de uma história marcada por limitações e desrespeitos.
A humanidade registrou casos de pessoas que desafiaram imposições machistas e romperam um ciclo de preconceitos e estigmas. Mulheres vencedoras e que hoje inspiram outras a lutarem e vencerem.
Hoje, as mulheres exercem com competência diversas funções na sociedade. São mães, donas de casa, chefes de família, profissionais de sucesso, etc. Contudo, a luta por igualdade e reconhecimento não tem fim.
O Dia da Mulher, comemorado no mês de março, é uma oportunidade de reforçar a importância das mulheres na sociedade. Apesar de toda homenagem ser válida, todas merecem respeito e reconhecimento todos os dias do ano.
A Revista Anália Franco em Foco separou a história de duas mulheres que, de alguma forma, destacam-se no bairro. Elas conquistaram seu espaço e são exemplos em suas profissões.
Conheça a história da professora Glória Maria
Calassancio e da pediatra Karina Frade, que são conhecidas e reconhecidas por muitos moradores do bairro por seu lado profissional.

Orientação
São 41 anos de profissão dedicados a ensinar a crianças, jovens e adultos muito mais do que ler e escrever. A professora Glória Maria Calassancio leciona as disciplinas Português, Matemática, História, Geografia e Ciências e também dá lições de vida.
A profissão de Glória é marcada por desafios diários, enfrentados e superados graças ao amor pela arte de ensinar. Desafios como lidar com muitos alunos, preocupar-se com a preparação deles para o futuro, ajudar alguns a superarem a dificuldade de aprendizado e ganhar a confiança dos pais.
A professora ainda comenta que, muitas vezes, acompanha as situações difíceis das famílias e das próprias crianças, como luto, desemprego dos pais, etc. Momentos em que o lado humano acaba sobrepondo-se ao profissional para servir como ponto de apoio aos alunos.
Mas a profissão também permite que momentos bons aconteçam, e algumas vezes de modo inesperado. Ela mesma nos conta uma situação ocorrida no ano passado que a deixou comovida. Em uma loja de cosméticos do bairro, uma vendedora a abordou e disse-lhe: “Você é a professora Glória. Fui sua aluna na Escola Cesar Marengo. Hoje tenho 39 anos e meu filho está se formando engenheiro civil. Eu era uma menina muito pobre e desanimada, e minha alegria era ouvir a senhora me mostrando a importância de perseverar, estudar e pensar em dias melhores. Nos momentos difíceis de minha vida, ainda lembro da senhora e vou em frente. Obrigada, professora.”
Esta é apenas uma das histórias de reencontro da professora com seus ex-alunos, que hoje já somam mais de 3 mil. “É muito comum encontrar ex-alunos na rua e em shoppings da região do Tatuapé. Mantenho contato com alguns que ainda me telefonam, outros que ainda têm irmãos estudando no Blanca e nos visitam”, diz.
Encontrar na rua pessoas com diferentes idades dizendo: “Professora Glória, lembra de mim? Fui seu aluno”… é uma das situações que Glória destaca como empolgantes em sua profissão. Outras delas é “ver a alegria de uma criança que começa a ler e um adulto que nunca estudou e, já beirando os 80 anos, passa a escrever e a ler jornal e livros”.
No bairro do Tatuapé, a atuação da professora Glória é na Escola Estadual Professora Blanca Zwicker Simões, onde trabalha há 18 anos. Mas seus anos de profissão também foram divididos em escolas da Vila Formosa e Vila Carrão.
Durante 21 anos, ela trabalhou à noite alfabetizando alunos na Escola Estadual Julien Fauvel, na Rua Francisco Marengo. O trabalho só foi interrompido porque a escola foi fechada pelo Governo, para que o prédio fosse derrubado e desse espaço a uma nova edificação.
“Minha relação com o bairro é, vamos assim dizer, muito íntima”, afirma Glória. A infância dela foi em uma casa na Avenida Doutor Eduardo Cotching e suas memórias do bairro hoje são compartilhadas com seus alunos.
“Onde hoje é o Ceret havia a Mata Paula Souza. Onde hoje há tantos prédios havia chácaras e toda a área da Rua Eleonora Cintra era de solo argiloso na cor rosa. Nos fins de semana, eu ia com meus pais e irmãos passear no local, entrar na mata e ver os sapos na lagoa perto da avenida”, diz a professora.
Desde 2013, ela reside no Jardim Têxtil, mas mantém muitas atividades na região do Tatuapé. Hoje, além do trabalho, frequenta o comércio, igrejas, dentistas, mercados, feiras, etc. e tem amigos no bairro.

Dedicação
A mãe da Manuela, 5 anos, e do Luiz Eduardo, 3 anos, se dedica a cuidar da saúde deles e de muitas outras crianças. Este é motivo de orgulho para os filhos da pediatra Karina Frade, que curtem a ideia de ter uma mãe “médica de criança”.
A pediatra Karina sente prazer pela profissão e, diante da admiração de seus filhos, acredita que está no caminho certo e que não teria outro trajeto de vida melhor. “Com eles aprendi o que não está nos livros, e consigo passar cada experiência e angústia para os pais”, conta a médica que é pediatra geral há dez anos e endocrinologista infantil há oito.
Ciente dos desafios que enfrenta todos os dias para se dividir entre casa e trabalho, Karina sabe que não são todas as profissões que permitem à mulher ajustar seus horários e se dedicar à família. Uma conquista sua.
“Não há um só dia em que me desligo por completo da minha profissão, mas o amor imenso que sinto ao ver esses pequenos crescerem com saúde e felizes e ao ver os vídeos que mandam para mim mostrando que largaram a chupeta, tiraram a fralda, estão crescendo com o tratamento ou querem me ver por ‘estarem dodói’... não há cansaço que me impeça de voltar a cada dia e trabalhar com mais ternura e satisfação”, diz.
“Ser mãe, esposa, amiga e ainda pediatra não é fácil”, admite Karina. Mas ela compartilha com as mães de seus pacientes a insegurança, que às vezes existe, de não ser boa o suficiente em todos esses quesitos, procurando ressaltar que “o importante é amar o que faz, ter apoio de sua família e coloca-la em primeiro lugar”.
Karina mudou-se da cidade de Lins, no interior de São Paulo, para morar na capital com seu marido, o cirurgião plástico, Fabio Frade. O local escolhido para morar foi o Tatuapé por ser o bairro onde o marido dela cresceu e toda a família dele reside. “Me apaixonei desde a primeira visita. O meu encantamento pelo bairro é porque me sinto moradora do interior com as vantagens de uma metrópole.”
Por ser moradora do bairro, encontrar pacientes fora do consultório é algo muito comum. Seja ao andar pelo bairro seja ao frequentar restaurantes, buffets, o Ceret e shoppings. “O encontro me traz alegria imensa e gratidão à minha profissão.”
A pediatra lida diariamente com as famílias de seus pacientes, e acaba fazendo parte da história de cada uma delas. Apesar de ser uma profissional jovem, Karina já possui pacientes de muitos anos e é bastante conhecida no bairro. “Sou nova, mas já tenho paciente que vinha com os pais, depois sozinha e agora acompanhada pelo namorado... o tempo voa.”

 

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