A maré dos imóveis

A maré dos imóveis

O setor imobiliário brasileiro tenta, com todas as forças, manter-se vivo em meio à difícil situação da economia brasileira. Apesar dos números negativos alcançados em 2015, os especialistas do mercado acreditam que tempos melhores virão em breve. As previsões mais otimistas apontam um cenário melhor já no segundo semestre deste ano.
Além da crise econômica, que tem feito os brasileiros adiarem planos de compras ou trocas de imóveis, o boom vivenciado pelo setor em 2013 também tem forte influência na recessão do mercado. Com estoque em alta, acumulado nos últimos anos, o interesse no investimento para lançamentos passou a ser menor e os preços começaram a cair para se adequarem à realidade nacional.
A queda no preço dos imóveis é um movimento esperado quando há oferta maior do que a procura. De acordo com o índice FipeZap, o preço dos imóveis teve queda real de 8,48% em 2015, apesar de o mercado ter usado estratégias para conter ao máximo essa redução. Contudo, neste ano, é esperado que os valores se tornem mais atrativos e as incorporadoras, pressionadas pelas construtoras e os investidores, estejam mais receptivas a negociar melhores condições de financiamento com os clientes.
Os interessados em comprar um imóvel nos próximos meses devem estar atentos às opções de financiamento oferecidas pelos bancos, que vêm sofrendo alterações desde o começo do ano. Sobretudo em relação a exigências e patamares de juros. Mas no que depender das incorporadoras, os clientes estarão em vantagem, pois o objetivo é reduzir o estoque.
O preço médio de contratos de aluguel também teve queda no ano passado. O recuo foi de 3,34%, chegando a uma queda real de 12,66%, se descontada a inflação pelo IPCA, segundo o índice FipeZap, que acompanhou nove cidades brasileiras.

Litoral paulista
O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, avalia que, em 2015, o mercado imobiliário no litoral paulista sentiu os reflexos da crise, como todas as demais regiões do Estado.
No segundo semestre do ano passado, de acordo com a pesquisa do Creci-SP, as vendas acumularam saldo negativo de quase 25%. A pesquisa estadual, relativa ao mês de janeiro de 2016, consultou 1.066 imobiliárias em 37 cidades.
Com isso, o preço dos imóveis à venda caiu e o poder de negociação dos clientes aumentou. As opções de imóveis disponíveis também têm perfil bastante variado, ou seja, é possível encontrar espaços com metragens e quantidade de dormitórios que agradam a clientes com diferentes necessidades e poder aquisitivos.
Entretanto, o presidente do Creci-SP diz que o mercado no litoral tem uma facilidade de adaptação maior do que outras regiões. A respeito dos próximos anos para o mercado imobiliário no litoral, a opinião dele é que “acontecerá uma negociação maior, inclusive com os bancos, no sentido de obtenção de crédito, assim como nas demais regiões”.
Sobre o comportamento do setor na região litorânea neste ano, Viana acredita que “ainda será um mercado em compasso de espera, com vistas às reações da economia do país como um todo”.

Lançamentos
É incerto dizer se novos investimentos no setor serão realizados neste ano. Ao que tudo indica a situação econômica é que deve ditar o ritmo de novos investimentos. Mas o presidente do Creci-SP acredita que haverá uma boa recuperação no segundo semestre, se forem feitos os ajustes necessários na economia.
Em relação a imóveis corporativos, as cidades no litoral paulista deverão conter um pouco os investimentos. Isso porque nos últimos anos houve um boom nesse segmento na região e o estoque ainda é alto. Mas diferentemente dos imóveis residenciais, os corporativos tendem a demorar mais a serem ocupados.
Nos últimos anos, Praia Grande tem apresentado números altos de unidades novas à venda se comparado a outras cidades do litoral paulista. Com imóveis considerados de padrão econômico (até
R$ 399 mil), o preço do metro quadrado médio na cidade é R$ 4.760. Inferior aos praticados em Santos e Guarujá, R$ 7.900 e R$ 6.230, respectivamente, de acordo com a Geoimovel.
Santos é a campeã de lançamentos residenciais na Baixada Santista. Mais de 6 mil lançamentos no período, quatro vezes mais que no Guarujá, conforme dados da pesquisa realizada pelo Sindicato do Mercado Imobiliário de São Paulo (Secovi-SP) no ano passado.

Imóveis usados
O perfil de imóveis na região litorânea é bastante variável devido às características de cada cidade. No litoral sul, por exemplo, a tendência é um interesse maior por apartamentos na Praia Grande e Santos, já em Peruíbe, a busca é por casas. Imóveis usados têm procura expressiva nessa região.
A compra de imóveis usados no litoral teve crescimento de 5,7%. No interior também houve alta, 12,06%. Já a capital e a região do ABCD mais
Guarulhos e Osasco apresentaram queda, 15,31% e 65,29%, respectivamente.
Locações
No ano passado, o preço dos aluguéis também sofreu queda.  Na cidade de Santos, foi registrado recuo de 1,5%.
Em tempos de economia desajustada, é preferível manter um imóvel locado por um valor mais baixo, do que vazio e sem previsão de ocupação. Por isso, em 2016, os proprietários deverão estar mais dispostos a negociar valores de aluguéis. Sobretudo os donos de apartamentos, que, ao perderem um inquilino, passam a pagar as taxas de condomínio mensalmente.
Este ano começou bem para o litoral paulista no quesito aluguéis, observando que o crescimento no número de locações no começo do ano é comumente esperado. Porém, ainda é arriscado afirmar que haverá melhora nessa fatia do mercado ao longo do ano.
No mês de janeiro de 2016, de acordo com a pesquisa do Creci-SP, houve aumento de 14,73% no número de locações no litoral do
Estado de São Paulo. No interior o aumento foi de 42,08%; as demais regiões pesquisadas tiveram queda: -1,52% na capital e - 6,25% nas cidades do ABCD mais Guarulhos e Osasco.
No Estado, o número de aluguéis em janeiro chegou a 15,18% a mais que em dezembro de 2015. As casas foram a preferência entre os novos inquilinos frente aos apartamentos, representando 62,44% e 37,56% do total, respectivamente.
A cidade de Praia Grande tem vivenciado o aumento de sua população por ter imóveis disponíveis para locação com preços mais acessíveis. Entretanto, a cidade de Santos vive uma situação diferente. Com mais procura do que oferta, a cidade tem um dos aluguéis mais caros do país, segundo o portal VivaReal, especializado em negócios imobiliários.

por Amanda Santana
Foto: canstockphoto

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