Nos bastidores da Gucci

Mistura passado, presente e futuro nas coleções

Lançada nos anos 1930, a clássica padronagem Diamante — a primeira assinatura da Gucci — foi alçada novamente ao posto de protagonista na grife italiana ao ser eleita pela estilista Frida Giannini como o ponto central do pré-inverno 2014.
No passado, a padronagem Diamante era feita de “pequenas pedras” em marrom escuro e com fundo bronze. Hoje, ela aparece em tons mais vibrantes na versão atualizada da bolsa Duffle, outro clássico da marca. O acessório, feito em couro texturizado brilhante, pode ser encontrado nas cores azul, amarelo e rosa, entre outras. A Duffle é toda confeccionada à mão. Cada bolsa é única.
A transformação das peças clássicas dos arquivos da Gucci em peças-desejo da moda contemporânea é quase uma especialidade de Frida Giannini. Há mais de uma década na marca, ela tem atualizado o passado com frequência.
“O processo criativo está sempre em curso. Estou constantemente observando o que me rodeia: pessoas, lugares e objetos. Minha visão envolve um casamento entre passado, presente e futuro. Sendo assim, minha inspiração vem tanto do meu atual estado de espírito, como dos arquivos da Gucci dos últimos 90 anos”, entrega a designer, que também assina a direção criativa das campanhas da grife, estreladas por grandes modelos, como Raquel Zimmermann.
Desde que chegou à Gucci, em 2002, quando Tom Ford ainda era o diretor-criativo da grife italiana, Frida foi responsável por alguns dos grandes sucessos da etiqueta. Ela, inclusive, foi promovida ao posto de diretora-criativa do segmento feminino da casa, em 2005, depois de colocar a estampa Flora — desenhada originalmente em 1966, a partir de flores e insetos, como uma homenagem à Grace Kelly — nos acessórios da marca. O alvoroço foi enorme.
“A história por trás da criação da Flora é inesquecível. A estampa foi concebida após Grace Kelly visitar a loja da Via Montenapoleone, ao lado do marido, o príncipe Rainier. Na ocasião, Rodolfo Gucci quis presenteá-la e pediu ao pintor Vittorio Accornero para criar uma estampa floral num lenço de seda pura”, explica Frida, para quem a história diz muito sobre o espírito e o legado da Gucci.
Na elogiada coleção de verão 2014, a emblemática bolsa Bamboo — inspirada na sela de um cavalo e a favorita de Elizabeth Taylor e Deborah Kerr — reapareceu bem colorida e com franjas espalhafatosas, conquistando moderninhas de plantão como as DJs Leigh Lezark e Harley Viera-Newton.
A bem da verdade, Frida Giannini chegou à Gucci com bagagem de sobra. Sua carreira começou numa pequena marca de prêt-à-porter. Logo depois, a estilista foi parar nos ateliês da Fendi, outra grife-símbolo do “Made in Italy”. A princípio, ela trabalharia com roupas. Mas, após três temporadas, Frida foi transferida para a ala de couro, onde se destacou.
“As linhas de roupas e acessórios são muito semelhantes do ponto de vista conceitual. Agora, tenho a sorte de poder fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, comemora Frida.
Segundo a revista americana “W”, Frida foi uma das responsáveis pela criação da bolsa Baguette, considerada a mãe das it-bags (num episódio famoso da série “Sex and the city”, Carrie Bradshaw, personagem da atriz Sarah Jessica Parker, entra em desespero quando tem a sua, um modelo de paetê roxo, roubada).
Frida é um dos nomes mais influentes da moda atual, comandando projetos da Gucci, que, aliás, a trouxeram ao Brasil, em maio do ano passado, inaugurou a exposição “Forever Now”, em São Paulo, e esteve no Rio, no MAR, por conta do “Chime for change”, projeto de empoderamento de meninas e mulheres.

 

por Gilberto Júnior/Agência O Globo
fotos Reprodução/Agência O Globo

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