Mudanças na concessão

Mudanças na concessão de crédito

O boom de crédito imobiliário está mesmo ficando para trás, e lá se vão também as facilidades de acesso ao sonho do imóvel próprio. Quem fechou negócios entre 2008 e 2014 conseguiu aproveitar as oportunidades que as instituições financeiras ofereciam na época, sobretudo as taxas de juros menores e o maior percentual de financiamento sobre o valor do imóvel.
Definitivamente, os tempos agora são outros. As mudanças nos empréstimos imobiliários iniciadas em 2015 tendem a se intensificar em 2016 e podem dificultar a vida daqueles que pretendem comprar um imóvel neste ano. A começar pelas taxas de juros que aumentaram consideravelmente.
Na Caixa Econômica Federal, o principal agente imobiliário do país, a taxa efetiva total de financiamento para não clientes sofreu mudanças em março deste ano, depois de três aumentos ao longo de 2015. Aos interessados em adquirir imóveis pelo Sistema Financeiro Habitacional (SFH), a taxa passou de 9,9% ao ano para 11,22%, e pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) passou de 11,5% para 12,5% ao ano.
Mas não foram só os bancos públicos que reajustaram suas tarifas. Nos principais bancos privados a taxa balcão efetiva atualmente está em torno de 11%. Rodolfo Rivera, diretor da iPrime Consultoria, ressalta que a taxa pode abaixar de acordo com o reating do cliente.
O acesso ao crédito está mais difícil aos clientes, pois medidas de proteção dos bancos estão provocando mais rigor na avaliação e na concessão do crédito imobiliário. Uma das medidas mais impactantes foi a alteração no percentual do imóvel permitido para financiamento, que foi reduzido em alguns casos.
“Os bancos estão mais rígidos em relação à análise de crédito. Com o objetivo de tornar sua carteira mais saudável, reduzindo, portanto, o risco e aumento de inadimplência”, diz Augusto César Prates do Nascimento, gerente comercial da CrediPonto.
Diversos motivos ocasionaram essas mudanças por parte das instituições financeiras desde o ano passado. Alguns deles foram destacados pelo diretor da iPrime Consultoria: “Aumento da inadimplência, perda de rendimento dos compradores, comprometimento da renda do comprador, funding (falta de recursos na poupança) e desvalorização dos imóveis.”
O aumento da inadimplência está sendo bastante influenciado pela situação das pessoas que adquiriram imóveis na planta e hoje passam por problemas financeiros, decorrentes da crise econômica do país, como perda do emprego e outros fatores que causaram diminuição da renda. O que tem levado muitas a devolverem imóveis às incorporadoras.
De 2015 para 2016, todas as instituições financeiras efetuaram mudanças em suas formas de oferta de crédito. Para Nascimento, da CrediPonto, os bancos revisaram o critério de oferta no que diz respeito a aprovação de crédito a clientes com renda informal e LTV (percentual de financiamento).
Segundo Rivera, da iPrime Consultoria, principalmente o Banco do Brasil, Santander, Itaú e Caixa Econômica Federal tiveram aumento entre o ano passado e este ano, enquanto o Bradesco e o HSBC também tiveram, porém mais em virtude do reating dos clientes.

Financiamento
Encontrar o imóvel dos sonhos não costuma ser fácil, mas neste ano, particularmente, a tarefa está um pouco mais difícil no quesito financiamento. Por isso, um interessado em encontrar a melhor opção de empréstimo deve estar atento para não entrar em um negócio errado.
 “Hoje as taxas de juros entre todos os Bancos são praticamente as mesmas, o que o cliente não pode cair é em ‘falsas’ promessas de taxas baixas apresentadas por simulações. O cliente deve buscar a aprovação de crédito e se atentar e exigir que a mesma não esteja vinculada a nenhum ‘pacote de produtos’”, alerta o gerente comercial da CrediPonto.
Uma das principais dicas que os especialistas no assunto dão para aqueles que pretendem adquirir um imóvel em breve é organizar as finanças, de forma que tenha disponível pelo menos 30% do valor total no momento da compra.
É importante reservar um montante correspondente a 5% do valor do imóvel para despesas com a escritura. O cliente também deve analisar o aspecto financeiro com cuidado para evitar endividamento que comprometa a sua renda.
Para obtenção do crédito de forma mais fácil, é preciso que exista um bom reating junto ao banco. Rivera explica que como os bancos têm acesso ao SISBACEN e as dívidas do CPF, o interessado deve tomar algumas medidas como:
Evitar compromissos financeiros;
Manter o pagamento de suas contas em dia;
Sempre pagar a fatura total do cartão de crédito;
Declarar a rendas extras no imposto de renda.

Para o diretor da iPrime Consultoria, duas alternativas continuam interessantes mesmo em tempos de crise: as cartas de crédito e os imóveis na planta. As cartas de crédito são uma alternativa mais barata que o crédito imobiliário, sem cobrança de juros e com taxas de administração entre 18 % a 23% ao ano. Já a compra de um imóvel na planta permite diluir essa poupança no período de obra.  
Para aqueles que têm no mínimo 50% do valor do imóvel à disposição, 2016 pode ser o ano ideal para fazer bons negócios. Isso porque, com o mercado recessivo, há boas ofertas, tanto em imóveis novos, quanto em imóveis usados.
Um corretor de confiança pode apontar um imóvel adequado às suas finanças e que atenda suas expectativas. Rivera acredita que este tipo de profissional poderá, em um mercado recessivo, indicar as melhores ofertas, contudo, ele faz uma ressalva: “Cuidado, lembre-se que os financiamentos são dívidas de longo prazo, portanto cautela nunca é demais.”

Amanda Santana

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