Passaporte Copenhague

Não é preciso ir ao Noma para curtir Copenhague

Pensou em um supermercado com delicatessen e mercado municipal reunidos em dois belos galpões climatizados, com uma feira de orgânicos no meio? É o Torvehallerne, com seus 60 estantes, onde pode-se comprar “o” queijo, “o” peixe, “a” carne ou simplesmente pedir o melhor sanduíche aberto da sua vida. Na saída, dá para comprar chás e temperinhos para trazer na mala, sem esquecer de passar antes pelo quiosque de cavas vendidas em taças, porque ninguém é de ferro.
Lançado ao lado da estação Nørreport, em 2011, o Torvehallerne é a versão requintada da cozinha de rua. Mas se você quiser um exemplo mais pé no chão, este ano foi inaugurado em abril, na Papirøen, o Street Food, uma área recheada de food trucks. Quer mais? No moderninho Meatpacking District, em Vesterbro, acaba de ser aberto o Kødbyens Mad & Marked, 1.400 m² de mercado-feira-estandes-mesas-nas-ruas que é a sensação dos fins de semana, com seus 62 quiosques com representantes da cozinha de todo o mundo.
A vontade é conhecer a nova cozinha nórdica? Não é preciso ir ao Noma, o restaurante que repaginou a culinária escandinava, assim como o El Bulli mudou o perfil da mesa espanhola. Há lugares novos, como o Bror, que traz dois ex-cozinheiros do Noma em um salão mais descontraído e mais fácil de conseguir reserva. E por falar em reserva, vale muito não deixar escapar o Geranium, um dois estrelas Michelin cujo chef é o único no mundo que ganhou todos os prêmios Paul Bocuse — bronze, prata e ouro. Chef que faz questão de servir pessoalmente um dos pratos de uma seleção de 20. É sempre a receita que ele cria semanalmente, de acordo com um produto do mercado que lhe chame a atenção. Não tem como não se derreter ao conhecer um jovem cozinheiro entusiasmado, capaz de unir urbanidade com apreço pela Natureza, combinação que dá para notar em pratos como o crocante de alcachofra e nozes de entrada e o creme de aspérula e vinagreira (duas plantas, mas o resultado é gostoso), que poderiam ser retratos de um floresta escandinava de um conto de fadas de Hans Christian Andersen.
A pedida é um ambiente para descansar do sightseeing, ver gente de toda idade, tomar um cappuccino ou fazer um lanchinho? A quantidade de cafés charmosos por metro quadrado em Copenhague é de enternecer. Os doces são menos refinados visualmente se comparados aos franceses, o que não parece inibir ninguém — os cafés vivem cheios. Uma rua pequena, como a Jægersborggade, tem sete, do mais profissional (o Coffe Collective tem até uma escola!) ao estilo longue (o natureba Meyers Bageri). O que explicaria os dinamarqueses, eleitos os mais felizes da Europa, viverem com um sorriso no rosto.
Não é preciso ir ao Noma para curtir Copenhague: a cidade ganhou 20 restaurantes nos últimos meses e está vivendo um boom dos cafés, além de ser uma campeã de mercados de comida.

por Ana Cristina Reis/Agência O Globo
fotos Ana Cristina Reis/Agência O Globo

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