Wimbledon

o berço do tênis.

Wimbledon é o mais antigo torneio de tênis do mundo. Curiosamente a competição foi criada com o objetivo de arrecadar fundos para a ampliação da sede e a fim de reparar um rolo de grama do clube de Críquete da época, o All England Lawn Tennis and Croquet Club.
Em 1877, o All England organizou a primeira competição da história do tênis com 22 participantes da chave masculina e, na época, a única dificuldade encontrada foi de padronizar as regras do jogo.
Assim, um Conselho redigiu normas que permanecem praticamente até hoje, com exceção da altura da rede e dos postes e a distância da linha de saque em relação à rede. Só em 1879 foi acrescentada a disputa de duplas masculinas e, em 1884, a chave feminina.
O sucesso do tênis foi tão grande que, pouco tempo depois, encerrou-se a disputa de críquete no clube. O termo foi retirado do nome em 1882, mas por motivos “sentimentais”, acabou reincluído em 1899 e assim permanece, embora haja pouquíssimos jogos de críquete atualmente.
O nome Wimbledon homenageia o elegante bairro onde está localizado o All England Tennis Club na Worple Road, no sudoeste de Londres.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os jogos foram suspensos e teviveram reinício no ano de 1919, quando o torneio já contava com uma geração de novos jogadores. Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), acontece uma nova paralisação e, em 1940, uma bomba alemã atingiu a quadra central. Somente em 1946 Wimbledon recomeçou seu torneio.
Conhecido como “O Ano que não acabou”, 1968 se tornou o ano da grande mudança no cenário do tênis, em que a Federação Internacional de Tênis votou a favor da abertura de alguns torneios convencionais para tenistas profissionais.
Chegava o fim da Era Amadora; eram assim chamados os tenistas amadores porque os praticantes não podiam receber dinheiro para jogar os torneios. Iniciou-se, assim, a Era Aberta, dos chamados tenistas profissionais, jogadores que recebiam dinheiro para participar das competições.
Com a chegada do ano de 1973, uma nova suspensão no torneio de Wimbledon acontece, agora devido ao maior boicote da história do esporte, quando nada menos que 81 dos principais atletas decidiram não competir em represália à suspensão dada pela Federação Iugoslava a Nikki Pilic, que havia recusado disputar a Copa Davis.
Felizmente foi essa a última interrupção na competição que, até os dias de hoje, é considerada o maior torneio de tênis do mundo.

Os brasileiros em Wimbledon
Apesar de disputado num tipo de piso que raramente se vê por aqui, o tênis brasileiro possui um histórico respeitável em Wimbledon, embora quase exclusivamente com os feitos de Maria Esther Bueno.
Ela conquistou o título individual por três vezes, em 1959, 1960 e 1964, e outros cinco de duplas, em 1958, 1960, 1963, 1965 e 1966. Além disso, fez as finais de simples de 1965 e 1966, atingindo o vice de duplas em 1967.
No masculino, no entanto, houve pouca expressão. O primeiro a competir no torneio foi Alcides Procópio, em 1938, mas a presença regular do Brasil só se registraria na década de 50.
Gustavo Kuerten surpreendeu e chegou às quartas de final em 1999. O tênis brasileiro não sabia o que era disputar a terceira rodada de Wimbledon desde 1984. Além de Guga, também chegaram às quartas Armando Vieira, em 1951; Thomaz Koch, em 1967 e André Sá, em 2002.
Em duplas, as campanhas foram mais expressivas. André Sá, ao lado de Marcelo Melo, chegou à semifinal de duplas em 2007. Na edição de 2013, Melo decidiu duplas ao lado do croata Ivan Dodig, e Bruno Soares foi vice de mistas atuando com a americana Lisa Raymond.

Atualmente em Wimbledon
Os últimos anos têm sido de mudanças. Em 2008, o torneio finalmente igualou a premiação entre homens e mulheres.
Em 2009, veio a mais importante modificação: a inauguração do teto retrátil da Quadra Central. O teto é acionado em caso de chuva, leva dez minutos para ser completamente fechado e, uma vez aberto na partida, permanecerá assim até o final.
Em 2015, o título da chave masculina ficou mais uma vez com o sérvio Novak Djokovic, que conquista, pela terceira vez na carreira, o torneio ao derrotar o suíço Roger Federer, que jogou sua décima final, por 3x1 sets.
Na chave feminina, a americana Serena Willians, de 33 anos, continua a fazer história e conquistou pela sexta vez o torneio de Wimbledon, por 2x0 sets.
Então,  que venha 2016!

CURIOSIDADES DE WIMBLEDON

Quadra de Grama
Tradição: esse é o motivo pelo qual permanece a disputa de torneios na grama, piso onde tudo começou. Sempre apaixonados pelos jardins, e chamados de lawns pelos ingleses, neles nasceram o Críquete, Rugby, Futebol e o Tênis.
Com o passar dos anos, os torneios de tênis deixaram de usar essa superfície por conta da dificuldade de manutenção da grama, porém, Wimbledon nunca cedeu às pressões de mudança no tipo de piso e mantém o esporte nos mesmos moldes de meados do século XIX.


Jogar de Branco
Umas das maiores tradições em Wimbledon, desde o seu início, é o tenista jogar predominantemente de branco. Até 1946 era requerido para o jogador usar calças compridas.
O branco sempre foi associado ao jogo de tênis, e a razão é simples: suor. O branco não monstra a transpiração tão facilmente quanto as outras cores.

Primeiro Domingo não tem jogos
O torneio já tem sua data definida, sempre começa seis semanas antes da primeira segunda-feira de agosto, conforme o calendário litúrgico.
Ao contrário do que acontece nos demais torneios do Grand Slam, Wimbledon tem anualmente agendado um dia de folga que separa a primeira da segunda semana de torneio, o primeiro Domingo. No “Middle Sunday”, como é conhecido, o All England Club fecha e os jogadores são até obrigados a treinar no exterior do complexo londrino.
A tradição, como qualquer outra, tem uma explicação: é que domingo, dia santo, é o dia de descanso dado pela Rainha ao povo inglês e, por esse motivo, ninguém trabalha no reino. Nem mesmo quando se tem o maior torneio de tênis do Mundo a se disputar no país.
Luz natural
Conforme a tradição, só se joga em Wimbledon com luz natural.
O primeiro jogo do torneio, no caso o da abertura, começa pontualmente às duas horas da tarde, quando os restaurantes e cafetarias do clube são abertos para servir o famoso chá inglês.  
Claro, com a pontualidade britânica, todos os jogos são encerrados, mais ou menos, às nove horas da noite, horário que o sol se põe em Londres nessa época do ano.

Camarote Real
Na Quadra central existe um camarote real que tem sido usado para o entretenimento de amigos e convidados de Wimbledon desde 1922. O espaço dispõe de 74 lugares com cadeiras Lloyd Loom de vime verde escuro. O espaço recebe membros da família real inglesa e estrangeiras, assim como chefes do governo, pessoas do mundo do tênis e parceiros comerciais.
Como etiqueta, os tenistas precisavam entrar e sair juntos da quadra para prestar reverência em frente à tribuna. Porém, em 2003, em acordo com os desejos de Sua Alteza Real, o duque de Kent, decidiu-se que era o momento de interromper a tradição dos jogadores fazerem a vênia (licença, permissão) aos membros da família real. As únicas exceções serão para Sua Alteza, a Rainha, e Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales.


Compra de Ingressos
Conseguir um lugar para assistir ao vivo às partidas é bem difícil. Desde 1924, a demanda é tão grande que um sistema de sorteio atende aos mais sortudos.
Para ter uma ideia, esses sorteios - “ballots” - ocorrem entre agosto e dezembro do ano anterior.  Mas, quem tem viagem marcada para Londres e é um apreciador de tênis, ainda tem chance de assistir ao torneio.
Wimbledon é uma das poucas competições que ainda oferecem ingressos no dia do evento, para quem aceita encarar uma grande fila ou tentar a sorte on-line.

Ausência de publicidade
Terceiro Grand Slam do ano, Wimbledon, apesar de ser o torneio mais tradicional do mundo do tênis, mesmo que os tempos modernos exijam publicidade, marketing e outras manobras para aumentar as receitas, rema em outra direção.
E a ideia é justamente essa: manter-se fiel à tradição. Wimbledon é o único torneio do circuito profissional que abdica do patrocínio no fundo da quadra. A única publicidade no local é da Slazenger, marca que fornece as bolinhas oficiais da competição e está com o torneio desde 1902.
Apesar de não ceder às propostas de contratos milionários, em 2014 a organização teve um lucro de US$ 60 milhões - R$ 186 milhões, apenas com as duas semanas do evento.

 

por Ricardo Soares
fotos Shutterstock

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