Quase 60% dos brasileiros se dizem funcionários

obedientes, diz pesquisa

Com a chegada desses jovens ao mercado de trabalho, a expectativa era de mudança na relação com os chefes.
No entanto, a pesquisa New Norms @ Work (novas regras no trabalho), realizada pelo LinkedIn, mostra que 63% dos brasileiros entre 18 e 34 anos se consideram funcionários obedientes, que não questionam as ordens recebidas no trabalho. Na população brasileira em geral (de 18 a 66 anos), esse número cai, mas ainda representa a maioria: 57%.
“Esse resultado foi uma surpresa. No entanto, sabemos que é preciso ter segurança para discutir, e isso só vem com anos de profissão”, analisa Fernanda Brunsizian, gerente sênior de Comunicação para o LinkedIn.
O Brasil fica atrás de outros quatro países: Índia (65,5%), Hong Kong, na China, (65%), Suécia (64,7%) e Malásia (63,8%), segundo a pesquisa. Os menos obedientes são os franceses (19,4 %).
Para Maíra Habimorad, presidente- -executiva da recrutadora de estagiários e trainees Cia. de Talentos, o baixo questionamento se aplica, principalmente, a cargos operacionais. “Se tomamos como referência jovens que serão treinados para posições de chefia, a voz ativa e questionamento são quase pré-requisitos”, diz.
A pesquisa ouviu mais de 15 mil usuários do LinkedIn, entre 18 e 66 anos, em 19 países, no mês de abril. O estudo ainda mostra que 40,9% dos brasileiros adicionam colegas de trabalho em redes sociais pessoais, mas 28,8% se preocupam com a imagem que esses contatos profissionais possam ter de seus perfis pessoais. Habimorad afirma: “As redes sociais são um fenômeno novo, todos estão tentando entender o que é permitido. A regra é observar como a organização se comporta ou perguntar, para não fazer convites que não sejam bem-vindos”. No entanto, ela destaca que é preciso saber que se trata de uma exposição: “Quando adiciono um contato profissional a minha rede social pessoal, devo ter consciência de que tudo o que estiver ali vai compor a opinião que ele tem sobre mim”.

Dois mundos

Os brasileiros também mostram que o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é uma de suas prioridades.
Em pesquisa realizada pela consultoria People Oriented, a busca de mais tempo para a vida fora do escritório foi o segundo motivo mais apontado para buscar mudança de emprego (17%).
Maior perspectiva de crescimento profissional foi citada por 26%, e 11% mudariam por remuneração maior.
A pesquisa, que ouviu 424 em abril passado, mostrou também que 84% dos participantes consideram que um modelo de trabalho flexível aumenta a produtividade, sendo que 52% julgaram que ter um horário flexível é a melhor opção.
Para Helena Magalhães, sócia da People Oriented, o principal entrave é que as empresas tendem a achar que os funcionários associam carga horária flexível a trabalhar menos horas.
Ela ainda afirma: “Mesmo em um momento desfavorável economicamente, as empresas devem pensar nesses modelos e em como acompanhar esse novo profissional, para que tenha níveis de satisfação mais altos”.

Desemprego e dengue

por ADRIANA GOMES (adrianagomes@vidaecarreira.com.br)

Tenho dito que o desemprego está como a dengue, cada vez mais perto! Não vivemos tempos fáceis e não dá para fingir que não está acontecendo. O Ministério da Saúde registrou, até 7 de março, 224,1 mil casos de dengue no país. O aumento é de 162%, comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 85,4 mil casos. Já a taxa de desemprego, um dos raros indicadores ainda mencionado como positivo pelo governo, chegou a 7,9% no primeiro trimestre deste ano, a maior taxa desde o mesmo período de 2013.
Amigos e colegas estão sendo demitidos. Meu vizinho, na garagem do meu prédio, comentou: “Adriana, a coisa está feia! Semana que vem preciso demitir mais duas pessoas da minha equipe. Tenho medo que o próximo seja eu!”.
A sensação não é nada boa. Posso ser eu! Demitida ou com dengue.
O momento exige reflexão: já pensou no que fazer caso seja você o próximo demitido?
Nesta semana li um artigo da jornalista Cláudia Giudice, ex-diretora da Abril que foi dispensada após mais de duas décadas. O título é “Ao arrancarem meu crachá, senti como se estivessem arrancando a minha pele”.
Na reportagem, ela comenta sobre a sua dor e sobre a necessidade de começar uma nova vida, diferente da rotina que levou durante anos.
Tenho escutado com frequência a expressão “é preciso se reinventar!”. Mas fazer alguma coisa diferente do que se fazia por anos não é um exercício fácil. Encontrar o próprio caminho, aquele que dê mais significado à vida, e bem no meio da crise, é um trabalho enorme, demanda tempo e dedicação e nem sempre os resultados são uma pousada, um livro, um blog e uma consultoria. Muita gente perde as próprias referências e se sente perdida e desorientada.
Reinventar-se pressupõe autoconhecimento, revisão dos valores, desapego de crenças antigas, coragem para arriscar, reserva financeira. Eu sei que nenhum desses processos é tão simples assim. Por isso, mesmo que seu emprego não esteja em risco, pense um pouquinho no que faria caso perdesse o emprego, antes que a dengue te pegue.

 

por Folhapress
foto Divulgação
arte (organograma)/Folhapress

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