Oportunidade na Crise

Oportunidade na Crise

O cenário pouco otimista, dos últimos meses, da economia brasileira gerou certa insegurança em alguns setores do mercado, O ano de 2015 começou com o pé no freio e algumas áreas enfrentam um momento de recessão, com redução de custos e despesas. O setor imobiliário, que sofreu forte aquecimento com alta valorização de imóveis nos últimos anos, também não ficou imune a isso.

São Paulo, urna das cidades com o metro quadrado mais caros do pais, registrou no mês de maio oferta de 28.118 unidades de imóveis, uma alta de 0,35%, em relação ao mês de abril, de acordo com os indicadores do Sindicato da Habitação (Secovi -SP). São imóveis na planta, em construção e prontos, lançados nos últimos 36 meses. Com maior oferta de imóveis no mercado, os preços sofrem oscilações.

No entanto, nem todo cenário é desanima-dor. Os imóveis de terceiros - imóveis prontos usados - despontam como boas oportunidades. E tem muita gente aproveitando a estagnação dos preços para vender ou comprar mais rápido. Para a corretora de imóveis Andréa Miranda, 45 anos, que atua no ramo de venda de unidades de terceiros, a negociação desse tipo de empreendimento até melhorou e impulsionou o setor, "Antes, as pessoas só queriam vender se fosse à vista, não aceitavam permuta. Era tudo muito complicado. Hoje já tem mais facilidade", explica a profissional que negocia imóveis de alto padrão na região do Tatuapé.

O setor de imóveis de revenda é dife-rente do setor de lançamentos das cons-trutoras. É uma alternativa para quem tem pressa em adquirir um bem já estabelecido, além da possibilidade de barganha, pois trata diretamente com o proprietário. Com o aumento da oferta, as vendas nesse setor aumentaram e passam por um bom momento. "O que existe agora é uma facilidade, uma flexibilidade maior na hora da negociação", afirma a corretora, que atua no mercado de imóveis desde 2008.

Outra boa noticia é que as regiões do Tatuapé e Anália Franco continuam valorizadas. Para Andréa, os preços, que vinham de um ritmo de crescimento grande, se estabilizaram. "Os imóveis estavam aumentando muito e as pessoas estavam investindo muito nisso na expectativa de ter o retomo gfande". De acordo com o índice divulgado pela FipeZap, o preço do metro quadrado de imóveis prontos em São Paulo teve alta de 0,09 %, entre maio e junho, uma alta abaixo da inflação.

O financiamento ainda permanece como uma das principais ferramentas na hora de se adquirir um imóvel, no entanto, o poder de compra à vista faz toda a diferença na hora da negociação. No inicio desse ano, a Caixa Econômica Federal - responsável por mais da

 

metade do crédito imobiliário do país -mudou algumas regras no seu modelo de financiamento. O imóvel usado, que antes poderia ser financiado em até 80% de seu valor, agora só poderá ser financiado 50%. Com essa alteração, o valor de entrada do imóvel deverá ser maior. Outra mudança foi o aumento - realizado primeiramente pela Caixa, mas seguido pelos demais bancos - da taxa de juros de financiamento.

Urna saída que surge corno opção ao financiamento com juros altos é o con-sórcio imobiliário. Esse pode ser um ca-minho para quem não está com pressa para adquirir o imóvel e tem a vantagem de não ter juros, o que se paga é uma taxa de administração. "Se o financiamento não está dando mais certo, as taxas estão muito altas, as pessoas então indo para os consórcios. Porque elas podem esperar algum tempo, depois elas dão um lance grande e tem o poder de compra na mão", completa Andréa.

Imóvel usado ou na planta?

Tudo depende da necessidade do comprador. Adquirir um imóvel na planta ainda é a melhor forma de comprar. Essa é uma boa opção principalmente para casais que estejam planejando a compra do primeiro imóvel, pois apresenta facilidades e pagamentos mais 'suaves. Para quem já possui um imóvel e deseja mudar de endereço, pode optar por comprar um imóvel de terceiro e utilizar a propriedade como permuta.

Antes de fechar negócio, o consumi-dor deve ficar atento para não ter dor de cabeça futura. Os conselhos da corretora para quem deseja um bom investimento imobiliário é fazer muita pesquisa, devido à grande quantidade de oferta no mercado, além de tomar o cuidado de realizar tudo com um profissional. "A pessoa investe a vida inteira dela. Então, quando ela vai comprar, deve ter todas as precauções de fazer um negócio seguro", explica a profissional.

Mas para quem está inseguro com o momento atual e prefere esperar - para vender ou para comprar - em 2016, na visão da corretora, as coisas tendem a melhorar, com a retomada de crescimento do setor. "Em 2015 deu uma estabilizada, em comparação ao ano anterior, porque viemos dos anos de 2012, 2013 e 2014 que foram anos de crescimento muito grande do mercado imobiliário. Eu acredito que no ano que vem as coisas vão começar de novo a melhorar. Se não melhorar, piorar não piora".

O SETOR DE IMÓVEIS DE REVENDA É DIFERENTE DO SETOR DE LANÇAMENTOS DAS CONSTRUTORAS. É UMA ALTERNATIVA PARA QUEM TEM PRESSA EM ADQUIRIR UM BEM JÁ ESTABELECIDO, ALÉM DA POSSIBILIDADE DE BARGANHA, POIS TRATA DIRETAMENTE COM O PROPRIETÁRIO

Jéssica Amorin

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