O cair das folhas

Outono é momento de renovação

Cada estação do ano carrega consigo um significado que levamos para a nossa vida. Muito mais do que características climáticas, as estações possuem o dom de inspirar os nossos dias.
O outono é a estação da renovação. Tempo de planejar ou realizar mudanças. Abrir-se ao novo. Com otimismo, vislumbrar tempos melhores que resultarão a partir de atitudes tomadas hoje.
Assim como a temperatura mais amena da estação nos prepara para o frio intenso do inverno, após o calor do verão, simbolicamente, o outono nos prepara para um tempo novo para o qual será preciso
adaptação.
Para o psicólogo Frederico Wachowicz, as pessoas possuem uma relação de expectativas perante ao outono e tendem a ficar mais apreensivas. Isso porque esta é uma estação de transição entre o verão e o inverno, o que representa o fim de um ciclo e início de outro.
“Geralmente, ao final de um ciclo, as pessoas tendem a ficar mais suscetíveis aos sentimentos de melancolia e nostalgia. A esperança também surge por conta das possibilidades deste início. Este misto de sentimentos causa muita expectativa nas pessoas”, diz o psicólogo.

Reflexão
A queda das folhas das árvores durante o outono nos remete a tudo aquilo que precisamos deixar para trás. Igual às folhas que morrem para que novas nasçam em outra estação, os sentimentos que abrimos mão hoje serão substituídos por novos futuramente.
Refletir sobre a própria forma de enxergar a vida pode nos ajudar a melhorar a nós mesmos. Ao entender o nosso real papel na condução do futuro, somos capazes de aceitar as mudanças necessárias e a empenharmo-nos em realiza-las.
A professora doutora da Universidade Paulista (UNIP) e colunista semanal do site Vya Estelar, Elisandra Villela Gasparetto Sé, explica que somos agentes das nossas experiências e não simplesmente aqueles que sofrem as experiências. “Todos nós temos as capacidades de autoreflexão que nos possibilita exercer controle sobre os pensamentos, os sentimentos, a motivação e a ação”, afirma.  
Prepararmo-nos interiormente para admitir que é preciso realizar mudanças em nossa vida é o primeiro passo. Logo, será necessário assumirmos o papel de agentes das nossas mudanças. Você está pronto para isto?  

Mudança
Segundo Frederico, o outono, estação em que as temperaturas começam a ficar mais baixas, nos desperta ao contato com nós mesmos, à introspecção, à análise do passado e aos planos de futuro. Isso tudo favorece a reflexão e nos prepara para o novo. Assim, o outono inspira mudança. “O momento introspectivo, de maior contato consigo, é característico desta estação. Neste sentido, somos naturalmente motivados a nos renovarmos.”
O psicólogo traça um paralelo entre as árvores que renovam suas folhas para suportar o inverno e a renovação constante que ocorre com o corpo dos seres humanos – cabelos, pelos, unhas e células. Com isso, percebemos que muitas das mudanças que enfrentamos ao longo da vida ocorrem naturalmente.
Elisandra nos chama a atenção para a importância de aceitar as mudanças consciente de sua necessidade e relevância, sabendo que elas virão para melhorar, facilitar, esclarecer, organizar, renovar e aperfeiçoar a vida. “Juntando, mesclando ou mesmo mudando seus conceitos e valores, ainda baseados em experiências antigas,
dê-lhes um novo visual, um novo rumo, aprimorando-os de forma que possam ser usados da melhor maneira em seu benefício, introduzindo o moderno e o novo.”
Toda mudança pode causar relutância, desconforto, ansiedade e até insegurança, pois ao abandonar o velho em busca do novo vamos ao encontro do desconhecido.
É claro que cada pessoa terá uma reação diferente diante de novas possibilidades. Algumas emoções podem contribuir para o processo de renovação, por exemplo, sentir-se bem e confiante poderá diminuir os desconfortos da mudança.
Mas, por outro lado, alguns sentimentos podem dificultar a aceitação. “A baixa autoestima autocrítica e negatividade podem ser grandes impeditivos para as mudanças. Ao deixar o que é conhecido, podemos analisar que os excessos de insegurança, de proteção e conforto, podem gerar o medo de correr riscos. E mudar é correr riscos de enfrentar o que é novo”, diz o psicólogo Frederico.
Porém, mesmo diante de sentimentos que nos afastam da ideia de mudança, é preciso enfrentar estas sensações para que o novo aconteça e seja possível uma percepção real de como será a vida a partir disso. Não devemos nos prender ao medo de mudar e talvez nos depararmos com o pensamento: como seria se nós tivéssemos tentado?
“Com certeza, depois de realizada, a mudança trás uma sensação de coragem e o resultado, muitas vezes, é de tal forma favorável que motiva a novas mudanças e à reflexão de o porquê não foi tentado antes”, diz a professora doutora Elisandra.
Retomar uma necessidade de modificação antiga e adiada é algo que pode ser reconsiderado. Afinal, se não foi possível antes, talvez seja por que o momento certo é agora.

Motivação
“Acreditar é sempre importante, a base da terapia é a crença de que pode-se melhorar”, diz o psicólogo Frederico, que ainda explica que os momentos de inspiração são libertadores e motivadores e possibilitam o surgimento de novas atitudes a serem tomadas.
Ele ressalta que é importante ter consciência que a inspiração é uma parte do processo, mas esperar que este momento aconteça pode impedir que novas possibilidades de mudanças sejam enxergadas.
O outono pode ser para muitos o momento de inspiração para mudanças, mas se este não for o seu caso siga em frente e busque outras fontes de motivações. “As motivações podem vir de nós mesmos ou por causa de outras pessoas, e ocorrem quando imaginamos as possibilidades para tomar as atitudes para mudar algo”, diz Frederico.
O psicólogo explica que as relações pessoais, como a família e os amigos, é a razão mais frequente pela qual buscamos melhorar enquanto pessoas. Crenças e valores também são fontes internas que nos ajudam a mudar.
Encarar as mudanças sob uma perspectiva positiva também é uma forma de encontrar motivação. Afinal, elas terão que acontecer, por vezes, independentemente da nossa vontade ou ação.
Para Elisandra o melhor a fazer é buscar compreender as experiências cotidianas no contexto maior. “Analise todo o contexto atual focando o lado positivo e unido em um mesmo propósito, assim, pode-se chegar a um consenso e uma solução favorável para todos os envolvidos.”
Ela também explica que o propósito de vida tem um papel fundamental na promoção do bem-estar psicológico que é também um mecanismo de autorregulação do self. “O sentido pessoal ajuda a superar as crises, as perdas, as transformações negativas que ocorrem ao longo da vida. Entretanto, encontrar o sentido de vida é valorizar o sentimento de satisfação com a vida. Valorizar o que é importante na sua vida pessoal é dar significado às suas escolhas”, afirma Elisandra.
O charme da estação
O outono também inspira o romantismo. A gradativa redução da luz solar torna os dias mais curtos e com isso as noites, morada dos apaixonados, se evidenciam. Ao cair da noite, o clima mais frio aproxima as pessoas em busca de aconchego. Longe do cansaço provocado pelo ritmo agitado do verão e da preguiça que o frio intenso do inverno instiga nas pessoas, a dita meia estação é um convite ao amor.
As cores da estação em tons amarelos, vermelhos, laranjas e marrons dão aquele toque elegante aos encontros. Um passeio no parque ou um jantar ao ar livre terão certamente um cenário inspirador a quem permitir apaixonar-se.
Todo poeta que se preze deve ter o outono ao menos uma vez na vida como inspiração. Grandes escritores como Fernando Pessoa,
Cecília Meireles e Pablo Neruda escreveram inspirados pela estação.
O outono é considerado a estação do ano em que as pessoas estão mais românticas e abertas a novas possibilidades amorosas. Mas há explicações para isso, como o fato de ser nesta estação que a temperatura começa a cair e, com isso, as ruas ficam mais vazias e a possibilidade de ficar sozinho torna-se mais real. Por isso, a postura das pessoas em relação a relacionamentos tende a mudar nesta época do ano.
O psicólogo Frederico explica que nós, seres humanos, temos uma inclinação natural a nos relacionar com outras pessoas e a ideia de solidão gera bastante desconforto. “Podemos supor que, no outono, por questões naturais, além da necessidade de calor humano, somos despertados a buscar alguém que nos acompanhe durante o inverno, nos ajudando a enfrentar o frio e a solidão”, diz.
O que na verdade trata-se de um instinto de autoproteção nos causa a impressão de que as pessoas tornam-se mais românticas e abertas a novas possibilidades nesta estação. Mas se abrirmo-nos ao amor for um motivo para estarmos felizes, por que não tentar?

Por Amanda Santana

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