A importância da figura masculina na construção da identidade da criança

pai e filho

A relevância da figura paterna se dá a partir do momento em que os pais recebem a notícia da gravidez. Ao ter a consciência deste novo papel, em seu imaginário o homem cria fantasias e expectativas acerca de seu filho, dando um lugar a ele no seio familiar.
Ao primeiro contato com a notícia da gravidez, grande parte dos homens entra em um estado regressivo, revivendo a relação com a figura paterna. Se houve ausência desta figura ou uma relação não saudável, pode gerar inseguranças, questionamentos e introspecção em relação ao nascimento e a este novo papel que o indivíduo terá que assumir. Entretanto, estes aspectos são possivelmente elaborados, quando se permitem dedicar-se ao seu filho, dando carinho e proteção.
Poder proporcionar ao bebê dois tipos de relações diferentes – com as duas figuras, a masculina e a feminina – contribui para maior flexibilidade mental e adaptativa de uma criança.
A presença de uma figura paterna – que não necessariamente precisa ser o pai biológico, mas alguém que exerça esta função dentro da família – numa fase precoce da infância é fundamental para a estruturação do psiquismo do indivíduo, pois promove uma identificação alternativa, não tendo somente como referência a relação com a mãe. Este fato contribui para a introdução da criança no mundo das diferenças, nos âmbitos social e sexual.
Todo esse processo acontece por meio do estímulo da curiosidade e durante as resoluções de problemas, proporcionando segurança na interação e na exploração do meio ambiente, e da identificação ou da oposição ao comportamento do pai.
As consequências de se ter uma ausência da figura paterna ou uma relação não saudável entre pai e filho pode acarretar em dificuldades de adaptação às regras sociais, bem como nas relações interpessoais e identificação sexual.

A figura do pai X adolescência
A adolescência é um momento da vida muito turbulento, no qual testar e buscar limites faz parte do processo individual de entender o seu lugar no mundo, deixando para trás sonhos de criança e se defrontando com a realidade e com as responsabilidades do mundo adulto. Neste momento começam a aparecer os diversos conflitos com os pais. E é aí que a figura masculina, que representa a Lei e os limites, tem uma valiosa chance de transmitir bons valores e normas sociais por meio da educação.
O adolescente, muitas vezes intempestivo, além de buscar o acolhimento materno, que nessa fase de transição é entendido como permanência no mundo infantil, também busca fortemente se deparar com os limites impostos pela figura masculina, que o direciona no sentindo de “o que se pode fazer” e “o que não se pode fazer”, formando, assim, valores do mundo adulto.
Nos dias atuais, se por um lado podemos ver muitos pais mais participativos no crescimento e no cuidado com seus filhos, seja nos momentos acadêmicos, educacionais, sociais e de saúde, contribuindo para a construção interna de imagens afetivas positivas, por outro lado, nos deparamos com pessoas completamente carentes dessa figura paterna.
A literatura médica aponta que a participação efetiva do pai na vida de um filho de forma saudável pode promover segurança, autoestima, independência e estabilidade emocional.

 

Hospital Albert Einstein
Fonte: Melina Blanco Amarins, psicóloga do Einstein
foto CC0 Public Domain - Pixabay

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