Recrutadoras nos EUA usam algoritimos

para decidir quem contratar

O smartphone já é um dos principais meios para achar empregos na internet e está mudando a forma como empresas e candidatos a vagas se comunicam, dizem especialistas.
Na Catho, um dos maiores sites do segmento, 20% dos acessos são feitos por dispositivos móveis – até o ano passado, eram metade disso.
Em outras plataformas de vagas, os números são mais expressivos. Na Trampos, o celular é usado por 30% dos usuários. No LinkedIn, por 40%, e o número cresce “significativamente mais” do que o site tradicional, diz o diretor de produtos da rede social, Daniel Ayele.
Uma das consequências é que os candidatos passam mais tempo procurando vagas, já que não estão limitados a fazê-lo só quando têm um computador, diz o porta-voz global da plataforma de vagas Indeed, Aidan McLaughlin.
Ele afirma que isso até mudou os horários de busca de empregos: antes, havia um pico de acessos entre 9h e 11h, hoje a distribuição é mais homogênea durante o dia. Além da mudança de horários, o processo pelo celular também encurta o tempo entre a oferta da vaga e a candidatura dos profissionais.
Isso porque muitos aplicativos mandam alertas assim que uma vaga é publicada.
“Trabalhadores que usam o celular costumam se candidatar mais rápido do que os que têm computadores”, diz Murilo Lopes, 27, gerente da Catho.
O projetista Wellington Abreu Mascarenhas, 35, está buscando uma vaga e usa aplicativos. Ele afirma que as notificações tornam o processo mais ágil, mas se queixa da repetição das mensagens.
No lado do empregador, o processo é facilitado porque pode abordar diretamente o profissional que julga interessante, mesmo que ele não tenha se candidatado.
Jair Araújo da Costa, 52, está em busca de um emprego de vendedor e baixou o Curriculum, que tem uma ferramenta de chat. Contatado por duas empresas, diz que o mecanismo lembra o WhatsApp.
“Posso mandar uma mensagem ‘Oi, estou com uma vaga para o seu perfil’”, afirma Luiza Coelho, 30, coordenadora de RH da empresa de software Dextra, de Campinas. Ela diz ter dificuldade para achar programadores.
Entre os profissionais já empregados, os aplicativos permitem uma busca mais discreta, diz Tiago Yonamine, da Trampos. Esses profissionais evitam procurar uma vaga do computador da empresa, mas fazem isso de maneira privada no smartphone.

Perto de casa
Outro recurso dos smartphones explorado na busca de empregos é a geolocalização, que permite uma procura detalhada por bairro.
Em empregos de remuneração mais baixa, o recurso é especialmente importante, diz José Torquato, 35, gerente do aplicativo Sine, que é voltado a vagas operacionais, como operadores de máquina, ou de apoio, como secretárias.
Apesar das facilidades, a consultora de carreiras, Maria Candida Baumer de Azevedo, diz que aplicativos nem sempre são a melhor maneira de procurar um emprego.

Segundo ela, as empresas só publicam vagas em plataformas on-line depois de esgotar outras possibilidades como processos internos e indicações de funcionários.
Ela defende que, antes de um profissional se candidatar a vagas, ele deve primeiro fazer um exame para entender em qual cargo e empresa ele quer tentar se inserir para depois se aproximar desses empregadores.
Irene Azevedo, diretora de transição de carreira da consultoria LHH, concorda que as boas colocações costumam ser preenchidas por indicações, mas diz que quem está procurando emprego deve usar todas as ferramentas que tiver disponíveis.

Freelancers
Alguns apps são voltados para trabalhos pontuais.
Fernando Napos Bezerra, 30, terminou neste mês a residência de cirurgia plástica. Ele conta que recebia uma bolsa quando fazia sua especialização, mas precisava complementá-la com “freelances”.
Recorreu ao Pega Plantão, voltado para profissionais da saúde. A proposta é que o profissional ache trabalhos e também consiga organizar os recebimentos, com notificações do dia em que o pagamento pelo plantão deve cair.
Nessa época, Bezerra conseguiu plantões pelo aplicativo cerca de dez vezes. Em uma ocasião, ele mesmo procurou alguém que pudesse substituí-lo em um turno porque ficou doente e não queria “deixar a escala do coordenador com um furo”.

Comparar salários
Os aplicativos de procura de vagas não são os únicos disponíveis para quem busca informações sobre o mercado de trabalho.
Outros apps ajudam a pesquisar dados de empresas, comparar a remuneração por diferentes tipos de contratos (como CLT ou pessoa jurídica, por exemplo), verificar a média salarial de uma categoria profissional e também orientar para uma entrevista de emprego.
Há um mês, o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) lançou um aplicativo com informações sobre empresas, como o nome dos sócios e a localização.
Seu intuito inicial era fornecer
dados para possíveis interessados em fazer negócios, mas ele também está sendo usado por profissionais em busca de um emprego que querem se informar sobre as companhias em que buscam vagas, conta Gilberto Luís do Amaral, presidente do instituto.
O app Salário BR é outro que serve para que os candidatos busquem informações, mas não vagas. Ele pertence à mesma empresa que criou o Sine, de busca de emprego.
“Temos uma base de dados que mostra a média salarial do mercado”, diz o gerente José Tortato, 35.
Para comparar remunerações de CLTs com de pessoa jurídica, há o CLT X PJ, que calcula o quanto a pessoa embolsa, por ano, nas diferentes modalidades de contrato.
Em inglês, existe o “Job Interview Questions”, que simula uma entrevista de trabalho usando 95 perguntas usadas com frequência nessa fase da contratação.

 

por Felipe Gutierrez/Folhapress (de São Paulo)

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