Construtoras apostam em unidades já mobiliadas

para manter as vendas

Comprar um imóvel já mobiliado pode ser uma opção para quem quer economizar tempo e, dependendo do caso, até dinheiro. Só que é preciso estar disposto a abrir mão da exclusividade, já que não é possível opinar na decoração do apartamento.
Construtoras e imobiliárias têm recorrido a essa modalidade para tentar manter as vendas. O “kit mobiliário” inclui armários, pisos, eletroeletrônicos, entre outros.
Um dos apelos é a agilidade: cerca de 60 dias após a entrega das chaves o apartamento está pronto para morar.
“As pessoas, muitas vezes, não têm tempo e paciência para gerenciar uma obra quando recebem o apartamento”, diz Alexandre Lafer Frankel, presidente da Vitacon. A construtora trabalha com o kit mobiliário desde o ano passado.
Para Eduardo Nardelli, presidente AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), o imóvel mobiliado é útil porque muitas vezes a pessoa gasta todo o dinheiro adquirindo o apartamento e fica sem verba para decorar –o valor da decoração pode ser incluído no parcelamento da casa.
Uma desvantagem, aponta ele, é que o comprador acaba preso ao padrão estético que a construtora impõe.
“É engraçado pensar que quando a pessoa terminar de pagar o apartamento e a mobília, provavelmente os móveis serão outros”, diz Nardelli.
Paola Alambert, diretora de marketing da imobiliária Abyara Brasil Brokers, também vê com cautela o cenário. “Essa questão de decorar o imóvel vem da nossa cultura. Nossa experiência de mercado diz que o brasileiro quer exclusividade”, diz.

Solteiros e investidores

Com tamanhos que costumam variar entre 30 m² e 100 m², os apartamentos novos mobiliados têm como público-alvo solteiros que adquirem o local para morar. Além deles, investidores, que compram o imóvel para locação, também são vistos como potenciais compradores pelas construtoras.
“O público é de pessoas urbanas e que querem praticidade acima de tudo”, diz Frankel. Para Alambert, os imóveis mobiliados são uma exceção à regra. “Eles existem, mas funcionam melhor para quem compra para investir”, afirma.
Os serviços, no entanto, miram o médio padrão. A arquiteta Fernanda Marques, que firmou parceria com a Vitacon e a Brookfield, diz ter olhado para os novos integrantes da classe C.
“Esse público almeja o mercado de luxo, mas não tem recursos para contratar um profissional exclusivo”, explica ela.
No kit da arquiteta há marcas como Ornare, Dell Anno e Casa Fortaleza. Ela diz conseguir um valor 30% abaixo do mercado nos móveis. Com o projeto incluído, sai por cerca de R$ 50 mil.
Na construtora e incorporadora Even, o projeto piloto “Pronto pra Viver” foi aplicado em apartamentos de 2 e 3 dormitórios. Segundo Marcelo Dzik, diretor de incorporação da empresa, o kit é básico e tem o papel de auxiliar na decoração.
“Quanto maior o apartamento, menor a receptividade”, diz Liliane Ros, gerente de personalização da construtora Tarjab. “O cliente com maior poder aquisitivo conhece o mercado e sabe que pode encontrar outras opções”, completa. Para fazer caber no bolso do cliente, a empresa oferece imóveis mobiliados em três categorias: básico, médio e super (essa última com itens como fechadura biométrica e ar-condicionado).
Nos cinco empreendimentos da Vitacon que oferecem o “kit mobiliário”, a adesão dos compradores foi de aproximadamente 15%. Em um projeto na alameda Campinas, nos Jardins, o índice chegou a 30%.

“Para o consumidor é uma oportunidade pois as construtoras que oferecem essa opção costumam fazer um preço mais em conta pelo pacote com apartamento e decoração”, diz a designer de interiores Adriana Fontana.
A decoração padrão de um apartamento fica em torno de R$ 10 mil o metro quadrado, quando o projeto é contratado separadamente, segundo Fontana. Para um apartamento de 70 m², portanto, sairia por R$ 70 mil.
“Mas não dá para comparar só o metro quadrado”, diz Ros, da Tarjab. “É preciso considerar o tempo da reforma e os gastos extras. É uma questão de colocar no papel tudo e ver o que vale a pena”, orienta ela.
 
Apartamentos usados com móveis têm estilo próprio e atraem pela facilidade

Se os imóveis novos vêm com a mobília em escala industrial, os usados colocados à venda mobiliados tem cara e estilo próprios.
“Os revendidos mobiliados são de pessoas normalmente bem desapegadas que vão mudar de país e não se importam de vender os móveis. Mas são casos pontuais”, diz Paola Alambert, da imobiliária Abyara Brasil Brokers.
Segundo Matteo Gavazzi, proprietário da Refúgios Urbanos, que compra, reforma e revende apartamentos antigos, as unidades mobiliadas têm um nicho de mercado.
“Os apartamentos novos espantam pelo preço, e os usados, pela qualidade e necessidade de reforma”, explica ele.
De acordo com José Eduardo Cazarin, fundador da imobiliária Axpe, a grande dificuldade é conseguir unir os gostos de compradores e vendedores. Afinal, além da pessoa gostar do apartamento, ela precisa aprovar também os móveis.
Para Gavazzi, o imóvel mobiliado traz conforto, à medida que economiza tempo até a mudança e evita possíveis desgastes que acompanham uma reforma e decoração. “É só entrar e morar”, diz.
Normalmente compactos, com cerca de 50 m², os imóveis usados e vendidos já mobiliados têm um público específico.
“São para solteiros e jovens casais, pessoas que compram facilidades por um período na vida”, afirma Gavazzi. “Depois de um tempo, inevitavelmente, as pessoas se mudam para algo maior”, conta.
A comodidade custa, em média, de 5% a 10% a mais no preço do imóvel.
Entre os motivos para a escolha estão os estudos na faculdade, os primeiros anos de trabalho na cidade ou um divórcio.
Arquitetura ajuda a integrar animal de estimação com a casa; confira como

Para manter a casa em ordem, há quem prefira limitar o espaço dos animais de estimação a áreas como a varanda ou a lavanderia, mas não precisa ser assim. É possível, através de uma arquitetura e decoração planejadas, integrar os animais à dinâmica da casa.
O setor de produtos para pets no Brasil tem o segundo maior faturamento do mundo –atrás apenas dos Estados Unidos–, segundo a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação).
Mesmo assim, para a designer de interiores Daniella Stecconi, do escritório Decor In, há diversos itens para os animais, mas poucos ainda para a casa em que eles vão morar.
“Projetos de arquitetura que isolam o animal estão preocupados apenas em deixar a casa bonita”, diz Alexandre Rossi, zootecnista e mestre em psicologia.

por Camila Toledo/FOLHAPRESS

Compartilhe este Artigo