Parabéns, Tatuapé

Parabéns, Tatuapé

É sempre bom passear pelo bairro – uma atividade cada vez mais rara aos paulistanos apressados –, principalmente se o local, mesmo após as mudanças e o crescimento dos últimos anos, ainda preserva seus ares de “vila”, onde todos se conhecem. Este é o Tatuapé. Imponente, famoso, desenvolvido e ao mesmo tradicional, romântico e até boêmio. Em constante crescimento, o bairro ainda preserva, em suas praças e avenidas, pedaços de sua história. Tatuapé, que na língua tupi-guarani significa “caminho do tatu”, completou 347 anos no dia 5 de setembro. O bairro também é um dos distritos que pertencem à Subprefeitura da Mooca, assim como os distritos Brás, Pari, Belém, Água Rasa e Mooca.

Sua história começa nas margens de um ribeirão. Segundo o portal da Subprefeitura da Mooca, em 1560, quando Brás Cubas, fundador da Vila de Santos, junto com Luiz Martins e seus criados resolveram subir ao planalto em busca de ouro, encontraram o ribeirão Tatu-apé. Seguindo seu curso até a foz encontraram um rio que chamavam de Rio Grande (Tietê), onde se instalaram. Com o tempo, desenvolveu-se a prática agrícola na região. Já no final do século XIX chegou nessas terras o italiano Benedito Marengo e instalou uma grande chácara, dando início ao cultivo de uvas, o que impulsionou a economia e desenvolvimento do local. Atualmente a família Marengo batiza importantes vias do Tatuapé, como a movimentada Rua Emilia Marengo e Francisco Marengo.

O desenvolvimento continuou com o surgimento das indústrias na região, que abrigou muitas olarias. Você já se perguntou o que era antigamente o terreno do seu condomínio ou da sua casa no Tatuapé? Grandes fábricas de empresas como a Tabacow e o Grupo Santista se instalaram na região. Após a década de 70, no entanto, elas começaram a deixar o bairro dando início a uma especulação imobiliária nos terrenos do local. Tatuapé hoje é conhecido também por abrigar empreendimentos residenciais e comerciais de alto padrão, sustentando uma constante valorização imobiliária. A história do seu crescimento se mistura com a vida de seus moradores, que, de geração em geração, permanecem no bairro.

Moradora do Tatuapé desde os 8 anos de idade, Conceição Pereira Valente, hoje com 90 anos, é toda elogios quando se trata do bairro. “Gosto de tudo, tenho muitos amigos, muitas amigas e é uma maravilha. Eu adoro o Tatuapé”, conta a aposentada. Conceição cresceu, casou-se, criou seus 3 filhos e presenciou as grandes mudanças que ocorreram na região durante todo esse tempo. Viúva, conta que antigamente gostava de passear no Sport Club Corinthians Paulista e andar de barco no rio Tietê.
Conceição gosta do Tatuapé e por aqui ficou. “É um lugar sossegado, bom, nunca se ouviu coisas ruins. Por aqui, não”, afirma. Morou nas ruas Cambembé, Demétrio Ribeiro e estudou no Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo. Seu casamento, não poderia ser diferente, foi na paróquia Nossa Senhora do Bom Parto. Ela também “inaugurou” o condomínio onde mora atualmente, localizado na Rua Tuiuti, construído na década de 80, história que gosta de contar. Foi uma das primeiras moradoras e não tem medo de altura, prefere o último andar.

O Psicólogo Denival Couto, 67 anos, antigo morador do bairro da Penha, veio para o Tatuapé em 1983, quando comprou o seu primeiro imóvel com sua esposa, e não saiu mais do bairro. 32 anos depois continua morando no mesmo condomínio e destaca os pontos positivos da região: “O que eu mais gosto são as pessoas. O pessoal daqui é conhecido.
Tem tudo perto”, explica. Mas nem só de elogios vive o Tatuapé, que – seguindo uma tendência da cidade – tem, segundo Denival, um transito bem complicado. “De sábado é o pior dia para dirigir”, completa.

Se essa praça fosse minha...

Mais que um centro econômico e comercial, o Tatuapé também apresenta áreas verdes com seus parques e uma grande variedade de praças. A famosa Praça Silvio Romero é uma delas. Localizada entre as ruas Coelho Lisboa, Tuiuti e Serra de Bragança a praça é arborizada e oferece um amplo espaço para os visitantes aproveitarem, além das famosas barraquinhas de hot dog espalhadas pela praça. Nas ruas do seu entorno encontram-se bancos, padarias, escolas e lojas diversas. A praça possui intensa movimentação e abriga ainda a paróquia Nossa Senhora da Conceição, além de ser palco de eventos, feirinhas gastronômicas e de artesanato.

O Largo Nossa Senhora do Bom Parto é outro espaço importante para a região, Nele, localiza-se a Praça do Bom Parto nas ruas Azevedo Soares, Serra do Japi e Euclides Pacheco, com um espaço gostoso para passear. Para as crianças, a praça oferece brinquedos em um parquinho, além abrigar o EMEI Intendente Gomes Cardim. Para os adultos, aparelhos de
ginástica, mesinhas e cadeiras para jogar conversa fora ou, quem sabe, encarar uma rodada de um jogo de cartas ou dominó. Há também que prefi ra um passeio com o bichinho de estimação. Em frente à praça, fi ca a paróquia Nossa Senhora do Bom Parto. Antigamente a igreja era localizada no centro do largo – erguida em 1925. De acordo com o site da paróquia, a partir de 1958 foi iniciada a construção da igreja atual. Ao redor da praça, bares e restaurantes animam a noite do bairro.

Do outro lado dos trilhos, fica a Praça José Moreno. Menos conhecida do que as anteriores e com aspecto um pouco mais degradado, a praça arborizada fica localizada na Avenida Celso Garcia, altura do número 4200 e abriga duas bibliotecas públicas: Hans Christian Andersen (primeira biblioteca da região leste) e Cassiano Ricardo – temática em música. Contação de histórias, atividades e programação cultural gratuita fi cam por conta das bibliotecas. É só chegar e aproveitar.

Por:

fotos Jéssica Amorim

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