Barriga grande

pode causar riscos para o coração e o fígado

A barriguinha de chope pode condenar o dono dela a riscos cardíacos e à morte súbita, de acordo com especialistas.
Para reduzir a gordura abdominal, é importante pegar leve com alimentos muito calóricos e manter uma boa rotina de exercícios que façam o sujeito transpirar para valer.
Supervisor do Setor de Emergências do Incor (Instituto do Coração), o cardiologista Alexandre Soeiro afirma que a falta de exercícios físicos, aliada a uma alimentação desregrada, rica em gorduras, é o caminho natural para aumentar a circunferência da barriga: “A deposição de gordura abdominal é uma consequência da ingestão elevada de gorduras, principalmente as de origem animal e açúcares. Junta-se a isso o sedentarismo como outro fator”, explica.
Endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Paulo Rosenbaum afirma que a gordura abdominal se quebra facilmente, entra na corrente sanguínea e chega a órgãos vitais, como o coração. “Favorece que a pessoa tenha um infarto. As artérias do coração vão se entupir. Em alguém com 50 anos e outros fatores de risco, como pai ou mãe que já tiveram doenças cardíacas, pode ocorrer um evento súbito, uma parada cardíaca”, diz.

Outros órgãos
Não só o coração é afetado pela excesso de gordura abdominal. Outros órgãos, como o fígado e o pâncreas, também ficam sobrecarregados. “Isso aumenta o nível de ácidos graxos [um tipo de gordura] livres na circulação próxima ao fígado e leva à resistência à insulina. Com isso, para manter normal a glicose do indivíduo, o pâncreas é obrigado a produzir insulina em excesso. Esse processo pode conduzir ao diabetes”, diz o coordenador da Área Técnica de Cardiologia da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, Amaury Zatorre Amaral.

Corrida e pedalada são bons exercícios
Para surtir efeito na perda de gordura abdominal, o exercício físico tem de ser aeróbico, como corridas e pedaladas, para forçar o coração. Atividades localizadas não surtem efeito. “Uma caminhada parando, com cachorro pequeno, não vai adiantar nada. Tem que ser atividade contínua, com velocidade maior. Tem que suar, senão não terá esse benefício”, diz o endocrinologista Paulo Rosembaum.

por William Cardoso/Folhapress (do Agora)
arte Yone Shinzato

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