Requinte das taças

Requinte  das taças

Longe de ser uma bebida simples, o vinho é resultado da fermentação alcóolica de uvas frescas e dos toques especiais aplicados por seus produtores. Um bom vinho só é possível se for seguida uma série de passos importantes. Desde a escolha da uva e região em que será produzido até as técnicas que serão utilizadas no processo de fabricação, tudo influencia na qualidade da bebida.
Estar atento ao armazenamento, à temperatura ideal para servir cada tipo de vinho e às melhores indicações de pratos para harmonização também tornarão a experiência com a bebida mais proveitosa.
É fato que no Brasil o consumo de vinhos tintos é superior a qualquer outro tipo. Isso porque a maior parte deles combinam com carnes vermelhas, culturalmente mais apreciadas pelos brasileiros.
Mas a fixação pelos tintos é tão presente no país que até mesmo quando um prato é composto por peixe alguns preferem os tintos aos brancos, sendo que estes são os mais indicados para harmonização.
Entender sobre vinhos exige paixão e estudo, mas alguns conhecimentos básicos sobre o assunto são fáceis de serem assimilados por apreciadores da bebida. Basta buscar informações sobre o assunto e permitir-se provar novos sabores.

Categorização
O consultor de vinhos e diretor técnico da Zahil
Importadora, Bernardo Silveira, explica que há múltiplas formas de categorizar os vinhos. “A priori, gosto de usar categorizações que façam sentido para qualquer pessoa que olhe para uma garrafa primeiro, e somente depois utilizar categorias mais complexas”, conta.
Bernardo traçou um roteiro, que você confere a seguir, para explicar a nossos leitores a categorização que ele utiliza, por estilo, tipo e dulçor.  “Depois disso, podemos falar de variedades e, então, de países, regiões, sub-regiões e micro áreas, assim como de processos de produção específicos ou técnicas regionais”, diz.

Bernardo explica que quase qualquer lugar no mundo hoje é capaz de produzir algum vinho e que já foram identificadas zonas de excelente qualidade em diferentes regiões. “No entanto, as melhores regiões para a produção de vinhos de qualidade são as que conseguem manter em equilíbrio a quantidade de Sol e calor, de frio, de água – nos momentos ideais para a planta – e de nutrientes, sem excesso de nada, para que as uvas sejam particularmente boas.”
Ele diz que as áreas tradicionais da Europa despontam no cenário mundial dos vinhos por conta desse equilíbrio, “combinado a um conhecimento sobre as regiões e sobre como as variedades locais interagem com o ambiente.”
Sobre exemplos de vinhos apreciados fora do Brasil mas que são pouco conhecidos por aqui, o consultor destaca o Jerez, vinho fortificado produzido no sul da Espanha. Segundo ele, este tipo de vinho perdeu seu brilho e importância no passado devido a produções de má-qualidade e em grande volume, mas, hoje, há o renascimento da região e dos seus melhores vinhos em mercados como o americano, o inglês e o japonês.
Para Bernardo, há vinhos de alto nível de qualidade que não são conhecidos no Brasil e são apenas objetos de desejo de “apaixonados por vinhos” por aqui. As razões para isto são eles terem menos visibilidade no mercado, serem de estilos peculiares ou não terem tradição comercial. Alguns vinhos destacados pelo consultor: os Vin Jaune, do Jura (França), os Chenin Blanc de alta qualidade de Paarl (África do Sul) e os vinhos do Etna, na Sicília (Itália).  
Mercado brasileiro
O mercado nacional de vinhos tem se desenvolvido nas últimas décadas e, cada vez mais, é possível encontrar opções de qualidade produzidas no país. Os produtores brasileiros contam hoje com o acesso mais fácil ao conhecimento e a tecnologias e técnicas para melhoria do produto nacional.
O diretor técnico da Zahil Importadora destaca três vinhos nacionais considerados especiais e que valem a pena serem degustados:
Rota 324 da Vinícola Don Abel: um dos primeiros vinhos de alto padrão e estilo relativamente tradicional, em que se tomou sempre cuidado para não exagerar na madeira e manter o vinho fresco e vivo;
Guaspari Syrah Vista da Serra: um surpreendente vinho do interior de São Paulo, resultado de pesquisa e investimento;
O Lírica Crua da Vinícola Hermann: um espumante que não passa pelos tratamentos de finalização comuns para os espumantes, para conservar textura e sabor únicos no Brasil.
Para Bernardo, encontrar vinhos especiais de outros países no Brasil não é uma tarefa difícil, pois há importadores sérios trazendo ao país produtos de altíssimo padrão e nem sempre tão caros. “A garimpagem serve para encontrar as melhores oportunidades de preço e para que uma pessoa descubra aquilo que realmente lhe agrada. Afinal, há mesmo vinhos para todos os gostos.”

 

Por estilo

  • Espumantes: vinhos que contêm gás diluído, geralmente resultado natural de uma fermentação;
  • Tranquilos: vinhos que não contêm gás diluído, com teor alcoólico médio – 8 a 15%, a maior parte do que o mundo consome;
  • Fortificados: vinhos que recebem adição extra de álcool, elevando o seu teor para de 15 a 22%, como os do Porto ou de Jerez.

Por tipo

  • Tintos: produzidos em contato com as cascas de uvas tintas, ganham cor, sabor e texturas diferentes dos brancos e rosados;
  • Brancos: produzidos sem contato com as cascas, de forma a evitar ao máximo sua influência sobre o vinho;
  • Rosados: produzidos com pouco contato com as cascas tintas, para que algo da cor e sabor possa alterar o vinho, mas não a ponto de torná-lo tinto.

Por dulçor ou teor de açúcar

  • Dos mais secos (com pouco ou nada de açúcar) aos mais doces.

Vinhos especiais

  • O vinho é uma bebida produzida em diversos lugares no mundo. No Brasil, em sua maioria, são consumidos os vinhos de regiões tradicionais na produção da bebida, como alguns países europeus (França, Itália, Portugal e Espanha) e sul-americanos (Chile, Argentina e Uruguai). Contudo, outros lugares no mundo aparecem mais timidamente com produtos bem apreciados, como Estados Unidos (sobretudo o Estado da Caliƒórnia), África do Sul e Austrália.

por Amanda Santana
Foto: canstockphoto

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