Sabores orientais

Sabores orientais

São Paulo é uma cidade que coleciona títulos. Capital dos negócios, centro cultural, polo econômico e industrial, é também um centro gastronômico e abriga diversos restaurantes espalhados pelo seu território. Da tradicional pizza até comidas mais exóticas, a cidade oferece opções para diversos gostos e bolsos. O ramo de comidas orientais caiu no gosto do paulistano e veio ganhando força nos últimos anos. Marcos Arakaki, 32 anos, foi um dos que apostaram neste segmento e vem colhendo os frutos do investimento. O empresário sai todos os dias do bairro de Moema, na zona sul da capital, e atravessa a cidade até o Jardim Anália Franco, onde comanda o restaurante Nozomi, especializado em comida japonesa.
Apesar de ser descendente de japonês, Marcos nunca teve muito contato com a cultura oriental, até começar a trabalhar em um restaurante japonês em 1996, no Itaim Bibi. “Eu me aprofundei na cultura nipônica. Os donos do restaurante são japoneses  não falavam português direito, e isso foi muito bacana pra mim”, comenta.
Foi então que, em 2001, ele recebeu uma proposta para trabalhar no Japão, em uma montadora, mas aproveitou também para adquirir experiência trabalhando em restaurantes após o expediente. “À noite eu saía da montadora e ia trabalhar no restaurante. E eu não ganhava nada, ganhava um prato de comida, uma refeição. Fiquei lá durante quase dois anos”, explica o empresário. No país, Marcos chegou a montar uma distribuidora, que mantém até hoje.
De volta ao Brasil, decidiu abrir em 2009 o Nozomi, a primeira unidade do seu restaurante na região do Tatuapé, lugar onde nasceu e cresceu. Em 2010, a ideia foi concluída. Marcos trouxe para o novo empreendimento um conceito bem japonês na época, oferecendo aos clientes produtos exóticos como barbatana de tubarão e água-viva, mas precisou adaptar seu negócio ao gosto brasileiro. “Por mais que eu seja descendente e tenha trazido essa cultura de lá, estou no Brasil, portanto, tenho que respeitar a cultura do brasileiro”, afirma.
Marcos chegou a abrir, com sócios, mais dois restaurantes de comida japonesa na zona sul – uma unidade em Moema e outra unidade no Brooklin – todos com nomes diferentes, que foram vendidos para dar mais tempo ao convívio com a família. “Meus filhos começaram a me cobrar, e eu estava sentido falta de vê-los. Às vezes, eu ficava três, quatro dias vê-los. Daí eu falei: vou abrir mão. Eu acho que tudo tem um limite. O tempo passa muito rápido, tenho que aproveitar agora que eles estão pequenos.” Com a mudança na rotina, terça-feira é o dia em que o empresário reserva mais tempo para passar com os pequenos, Thais, de 7 anos, e Erick, de 5 anos. “Eu passo a tarde com eles, a gente brinca um pouquinho, vamos para ao parque, para ao CERET”, conta.
Improvisando e mesclando um pouco da cultura oriental e ocidental, mas sem perder a identidade, o empresário consegue atrair um público representativo de descendentes de japoneses. Isso porque a zona leste abriga uma comunidade japonesa muito forte, localizada em bairros como Vila Carrão e Tatuapé, por exemplo. “Eu tenho um cardápio bem dividido. Necessito ter alguma coisa mais voltada para eles, para continuar atraindo esse público oriental, e preciso ter um cardápio voltado para o ocidental.” Marcos explica também que os japoneses gostam do alimento mais doce. “Isso já é da cultura. O arroz é mais doce, o molho e os caldos também são um pouco mais adocicados.”
Mais do que uma profissão e um “ganha pão”, o empresário encontrou no ramo um aprendizado constante: “Eu aprendi muito sobre a cultura trabalhando com a comida. Eu sou descendente e nunca tinha me aprofundado, então isso me trouxe muita coisa, da minha cultura, da minha origem, da origem da minha família. Mesmo com a comida, a gente começa a entender mais sobre o nosso alimento”, afirma.
A culinária japonesa foi ganhando força e se tornou uma febre. Hoje já é possível encontrar os famosos sushis e sashimis até nas churrascarias ou em restaurantes self-service, em um espaço reservado. Diante desse cenário,
Marcos aposta na atualização do cardápio, sempre com alguma novidade para os amantes da culinária oriental. Outra aposta é no treinamento dos funcionários. Marcos comanda uma equipe de 15 colaboradores e não tem problema em ensinar as técnicas da culinária especializada. “Eu pego pessoas sem experiência porque hoje tenho uma equipe que consigo ensinar. Aqui [no restaurante] há duas pessoas sem experiência. Todos os outros possuem uma experiência já bem ampla no negócio, então consigo ter esse tempo, esse “time” de pegar uma pessoa sem experiência e treinar ela para casa. Só que junto com isso vem outro problema. Muitas vezes essa pessoa vem, aprende e sai fora”, explica o empresário. O restaurante também foi projetado para proporcionar mais interação entre clientes e funcionários.
Para o empresário, no entanto, opções de restaurantes na região não são um; quanto mais estabelecimentos melhor, pois ajudar a consolidar a região e atrair o público. “Quando se tem muito restaurante em um bairro, isso não é ruim, isso é ótimo, porque você vai atrair gente de outras regiões pra cá, você não pode ter os restaurantes como concorrência, tem que ter como parceria.”
 “Em toda área profissional, se você não fizer com amor e dedicação, não funciona. Você tem que ter amor, você tem que gostar.” O empresário, que aprendeu a fundo e na prática a culinária de uma cultura tão singular, destaca que a dedicação faz a diferença para alcançar a realização profissional. “Não é só no restaurante japonês, qualquer tipo de área alimentícia lhe consome muito, porque alimento é muito complicado, você tem que ter muita regra, muita disciplina, muita higiene. Então, tudo isso lhe toma muito tempo”, completa.

 Rumo ao Nordeste
O cenário anunciado de crise fez o empresário frear um pouco os investimentos futuros, mas não estacionar os planos. A novidade agora é abrir um restaurante no Ceará e um em Fernando de Noronha. “Nós tínhamos a ideia desde o ano passado e íamos concluir agora, mas como este ano foi turbulento, a gente deu uma brecada”, explica Marcos.
O empresário acredita no potencial do País e está otimista com os próximos anos. “Brasileiro não tem aquela de ficar em casa, desanimado. Vamos pra cima. Eu acho que este ano talvez continue na transição de organização, e ano que vem acho que começa a voltar ao normal, logo mais acho que já melhora.”
O restaurante Nozomi funciona de terça a domingo, das 19h às 23h30, na rua Eleonora Cintra, 1040 - Jd. Analia Franco.

por Jéssica Amorim
fotos: Michelle Arantes

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