Seu dinheiro

Saiba como planejar as suas finanças

O ano novo começou e aquelas “continhas” calculadas na ponta do lá­pis ainda em 2015 já se tornam realidade. Para alguns todas estão sob controle, afinal, foram previstas e planejadas cuidadosamente. Con­tudo, para muitos elas eram e se tornam, cada vez mais, uma preocupação.

O planejamento financeiro é um dos desafios cotidianos mais difíceis de serem controlados, pois depende de esforços próprios para ser colocado em prática e, ao mesmo tempo, é influenciado o tempo todo pela situação econômica do País. Mas o que fazer para que o dinhei­ro ganhado, que a cada dia parece valer menos, render?

Além de planejar os gastos mês a mês e não gastar mais do que ganha, não se esqueça que você terá que lidar com os reflexos das ques­tões econômicas do País que influenciam nos preços de alimentos e contas de consumo (água, luz e telefo­ne), por exemplo. Ao longo do ano, você enfrentará aumentos, às vezes inespera­dos, em outros produtos e serviços. Por isso, esteja preparado também para isso, criando reservas que certamente irão lhe salvar em momentos assim. Também reveja o planejamento, se necessário.

É imprescindível poupar para enfrentar outras si­tuações imprevistas. “É fundamental ter uma reserva para momentos de emergência, como, por exemplo, casos de doença, morte na família ou desemprego”, alerta Karla Longo, especialista em relações com os consumidores da Serasa Experian.

MANTENDO O CONTROLE

Planejar, replanejar e poupar. Esta até poderia ser uma fórmula para ter sucesso no planejamento finan­ceiro, não fossem as tentações do dia a dia. Verdadei­ras vilãs do orçamento, as comprinhas não planejadas e realizadas em momentos de impulso podem arrui­nar o seu plano. Portanto, ter autocontrole na hora de comprar pode fazer toda a diferença.

Para Karla, consumir por impulso, sem planejamen­to, como uma maneira de compensação pessoal ou, mesmo, para ostentar uma condição social que não condiz com a própria realidade financeira são algumas motivações psicológicas que levam o consumidor à inadimplência. “No dia a dia, estamos expostos a uma quantidade gigantesca de informações – na novela, na internet, no celular –, que geram o desejo de ter aque­le brinquedo, aquela TV ou aquela viagem de férias. So­mos bombardeados por estímulos que nos instigam a consumir mais e mais. Mas o que buscamos realmente, quando vamos comprar, é o sentimento de felicidade.”

Para Cintia Senna, educadora da DSOP Educação Financeira e responsável pelo blog Viver Melhor com Educação Financeira, o maior vilão do planejamento é a própria pessoa que não segue o que foi planejado, deixando com que o controle planejado perca seu sen­tido de existência.

Cintia ainda destaca outras atitudes que compro­metem o planejamento financeiro: não ter controle dos gastos mensais; não saber quanto ganha (ou seja, considerar apenas o valor bruto registrado em carteira de trabalho e esquecer os descontos); pensar apenas nas despesas fixas e esquecer de outras menores do dia a dia (cafezinhos, guloseimas, locomoção, refei­ções, gorjetas, etc.); não ter objetivos claros sobre o que quer com o uso do dinheiro, deixando-se levar pe­los consumos imediatistas; e não ter o hábito de pou­par nem que seja ao menos 10% da renda.

Se você é daquelas pessoas que não consegue se controlar e vez ou outra, ou muitas vezes, compra além da conta, saiba que criar propósitos de vida pode ser a atitude que falta para ajudá-lo a administrar bem o seu dinheiro.

Para a educadora financeira da DSOP, ter sonhos, metas e objetivos a serem trilhados em curto, médio e longo prazo compõem a fórmula para o planejamento financeiro de sucesso. “Com objetivos de vida, qual­quer gasto que ocorrer será analisado quanto à efe­tiva necessidade, e com a correta priorização do que realmente almeja alcançar amanhã em detrimento do hoje. É tudo questão de hábitos e comportamentos, que precisam ser modificados, trabalhados e redefini­dos para um novo olhar.”

As consequências para aqueles que não conseguem dominar a situação podem ser a inadimplência e a in­clusão do nome no cadastro de devedores de órgãos de proteção ao crédito. De acordo com a especialista da Serasa Experian, o levantamento mais recente da empresa mostrou que o Brasil tem hoje 57,2 milhões de inadimplentes. Segundo pesquisas da mesma or­ganização, 40% das pessoas que regularizaram a situação financei­ra voltaram a ser negativadas em menos de 12 meses.

ANO NOVO, PLANEJAMENTO NOVO

O ano já começou e você ain­da não se planejou? Faça isso o quanto antes! Aí vai uma dica da educadora financeira da DSOP: “Faça uma análise de seus hábitos e comportamentos de consumo, anotando todas as despesas ao longo de 30 dias, da forma mais detalhada possível. Irá perceber nitidamente, só nesses 30 dias, como realmente você se compor­ta quando o assunto é gastar, e já vai pensar duas vezes mais antes de realizar qualquer compra.”

Ela ainda sugere que sejam definidas, no mínimo, três metas e longo prazo), pois isso ajuda no processo de disciplina e prioriza­ção. Além disso, deixe claras as seguintes informações: valor total, quanto está disposto mensalmen­te a guardar e em quanto tempo irá realizar. “Com essas definições, ficará mais fácil separar, lembrar e mensalmente poupar para a con­quista de cada um deles. Lembran­do que terá que separar o valor ao mesmo tempo para todas as me­tas.”

Os aplicativos para celular vol­tados ao planejamento financeiro podem ser aliados nesse processo. O fato é que eles facilitam a orga­nização das informações que pre­cisam ser controladas, contudo, o maior desafio ainda continuará sendo que as pessoas que os uti­lizam apliquem na prática os seus recursos.

“O que acredito ser viável é controlar seus gastos durante um período curto para ter uma visão de seus hábitos e comportamen­tos. Aí sim o aplicativo pode ser uma boa opção, rápida e de fácil acesso. A partir desta análise, de­verá identificar o que realmente é necessário manter e o que pode ser eliminado”, diz Cintia.

COMO AGIR EM 2016?

Se 2015 não terminou bem e algumas dívidas ficaram para este ano, o planejamento financeiro deve ser um pouco diferente. De acordo com a educadora financei­ra da DSOP, dois aspectos precisam ser analisados: se as dívidas exis­tentes são decorrentes de aquisi­ção de bens de valor (casa, carro) que geram patrimônio e potencial de aumento de recursos, ou dos bens sem valor (cheque especial, cartão, supérfluos); e se as dívidas estão sendo pagas normalmente ou se já estão inadimplentes.

Por serem cenários totalmente diferentes os ajustes poderão ser menores ou maiores. Para come­çar a regularizar sua situação, sai­ba exatamente tudo o que se deve e separe por ordem de grandeza e por ordem de maiores juros, sem­pre dando prioridade para as dívi­das que tem bens em garantias.

Dentro do seu orçamento, sua prioridade não será 100% quitar a dívida. É preciso paciência para ir eliminando-as aos poucos e, com isso, ao mesmo tempo, ir poupan­do para os demais objetivos. “Não existe lugar nenhum que fale que quem tem dívidas não possa pou­par e investir. Enquanto regulariza um lado, vai criando hábitos do ou­tro”, afirma Cintia.

Amanda Santana

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