Mercado de salas comerciais

salas comerciais

O segmento de salas comerciais na cidade de São Paulo enfrenta um momento de dificuldades com estoques em alta e ocupação em baixa, assim como outros segmentos do mercado imobiliário brasileiro. O volume de entrega desse perfil de imóveis entre 2012 e 2015 foi alto e acompanhou o ritmo acelerado do mercado imobiliário em geral.
Com o aumento de imóveis disponíveis no mercado, o número de salas comerciais desocupadas em São Paulo multiplicou nos últimos três anos. Segundo dados da consultoria Buildings Pesquisa Imobiliária Corporativa, no 1º trimestre de 2013 havia 6.442 salas desocupadas na cidade, e no 1º trimestre de 2016 este número chegou a 23.060.
Mesmo diante de um cenário de estoques em alta, novas unidades ainda estão sendo entregues pelas construtoras. Isso certamente provocará um aumento considerável na taxa de vacância nos próximos meses.
A aposta neste segmento do mercado foi grande, mas o retorno financeiro está aquém do esperado pelos investidores. O interesse pela construção de salas comerciais sempre foi motivado pelo fato de imóveis em tamanhos menores terem saída mais rápida em comparação a outros perfis de imóveis.
Quem confirma esta informação é Gerson Greccofi, da Gerson Greccofi Negócios Imobiliários: “Normalmente, salas com metragens menores são as mais procuradas, tanto em momentos de crise no setor, como a que vivemos atualmente, quanto em situações de aquecimento da economia.”
Ao que tudo indica, a situação financeira do país também tem influenciado diretamente neste segmento do mercado, impossibilitando o escoamento de parte do estoque. Isso porque o público que absorveria esses novos imóveis é formado por empresas de pequeno porte e profissionais liberais, como advogados, escritórios de contabilidade, profissionais da saúde, entre outros, faixa da população bastante afetada pela crise.
“O segmento de salas comerciais está sendo duramente afetado, pois a classe média é a que está sendo mais penalizada e o impacto sobre os profissionais liberais e pequenos empresários é grande. Já os grandes investidores possuem suporte suficiente para poder aguardar uma situação melhor de mercado para negociar seus imóveis”, diz Greccofi.
Devido à expressiva queda na renda de empresas e profissionais liberais, a alternativa para muitos tem sido dividir espaço com outras empresas ou outros colegas de profissão para reduzir o custo com o aluguel.  Ao compartilhar vagas, é possível conseguir uma economia de cerca de 50% nos gastos com aluguel e de 70% a 80% se somados outros custos, como contas de energia elétrica, limpeza e manutenção.

Tatuapé
Em 2015, o bairro do Tatuapé teve expressivo aumento da oferta no segmento de salas comerciais, com a entrega de diversos prédios comerciais e também pela redução na procura por escritórios e consultórios, assim como outras regiões de São Paulo.
As salas com metragens menores continuam sendo as mais procuradas e isso deve seguir assim durante todo o ano de 2016. O grande diferencial passou a ser os imóveis que possuem vagas de garagem. Este tornou-se um fator de fundamental importância após as mudanças previstas no novo Plano Diretor da cidade de São Paulo, que passou a limitar o número de vagas de garagem em novos projetos de construção.
Grande parte das salas comerciais está localizada em polos comerciais do bairro. Nos últimos anos, surgiram dois polos importantes: um próximo ao Shopping Anália Franco e Hospital Vitória, e outro próximo ao Hospital São Luiz. Além disso, houve o fortalecimento dos polos da região da Praça Silvio Romero e das estações Carrão e Tatuapé do metrô, que agora devem se expandir até próximo à Avenida Celso Garcia.
“Existem diversos projetos em andamento, principalmente próximos às estações Carrão e Tatuapé do metrô, que devem formar um novo aglomerado de prédios comerciais margeando a linha de metrô e que serão de relevante importância comercial para a região nos próximos anos”, aposta o proprietário da Gerson Greccofi Negócios Imobiliários.
Fernando Libardi, diretor da Buildings Pesquisa Imobiliária Corporativa, também analisa brevemente a região do Tatuapé: “A região é composta principalmente por edifícios de saletas, são aproximadamente 250 mil m² de salas locáveis, em que mais da metade ainda encontra-se vaga.”
Os imóveis comerciais possuem particularidades em relação aos residenciais. A principal delas é o preço, que costuma ser mais caro. Há salas comerciais que chegam a custar o dobro do valor de um apartamento residencial e com metragem semelhante.
O momento atual do mercado segue favorável aos interessados em comprar ou locar uma sala comercial. Isso porque é possível encontrar imóveis com diversas características disponíveis e com boas condições.
Com preços lá no alto e diante da realidade financeira do país, os proprietários têm revisto os valores e já é possível notar redução nos preços cobrados. A maioria está sendo forçada a renegociar os contratos e oferecer descontos para poder continuar com o imóvel locado.
Libardi afirma que o momento é bom para compra e locação de imóveis no Tatuapé, bem como em toda a cidade de São Paulo. “Muitos proprietários estão negociando os valores bem abaixo do pedido, além de entregarem com ótimas condições no contrato. Com relação à compra, as incorporadoras estão com muitas salas ainda em estoque, o que facilita, e muito, a negociação”, diz.
O ano de 2016 deverá ser semelhante ao de 2015, é o que acredita Greccofi. Para ele, haverá uma estabilização dos negócios aos níveis atuais, pois qualquer mudança nesse cenário depende das novas medidas econômicas que deverão ser implementadas.
Por enquanto, os investimentos se concentrarão nas obras que estão em andamento e nas que ainda devem se iniciar brevemente, frutos de projetos já aprovados. Novos investimentos para aquisição de novas áreas para incorporações serão analisados de forma mais criteriosa pelas construtoras.
Em relação a novos lançamentos de salas comerciais no Tatuapé, o comportamento do mercado deverá ser de contenção nos próximos anos. “Os lançamentos de novos edifícios comerciais na região deverão ser reduzidos nos próximos anos até que o mercado se estabilize e consiga absorver a grande quantidade de conjuntos comerciais que foram entregues recentemente, e os que ainda serão entregues em 2017 e 2018”, diz Greccofi.

 

Salas comerciais desocupadas na cidade de São Paulo

1º trimestre de 2013: 6.442
1º trimestre de 2016: 23.060

Fonte: Buildings Pesquisa Imobiliária Corporativa

 

 

 

 

por Amanda Santana
Foto: CanStock

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