Fala que eu te entendo

tecnologia e celular

Há três meses, os iPhones de dono brasileiro careciam de um importante traço da personalidade: a voz. Ou, pelo menos, uma voz que falasse português --o que o concorrente Google Now faz desde o ano passado. Em abril, com a liberação de nova versão do sistema iOS para iPad, iPhone e iPod touch, usuários passaram a poder perguntar “qual é a previsão do tempo?” e a pedir “envie uma mensagem para Joana” ou “marque uma reunião às oito da manhã”.
“Já usava Siri em inglês, apesar de não ser fluente na língua”, diz o designer gráfico Guilherme Liron, 18. Agora, diz ele, o assistente virtual ficou mais refinado. “Os resultados ficam mais eficientes porque são filtrados para conteúdo no Brasil”.
A estudante Isabella Alvares, 21, diz usar a tecnologia todos os dias, mas diz que há ajustes a serem feitos. “Achei bom para a primeira versão no idioma, mas há lacunas na tradução a serem melhoradas”, diz. “O português que ela compreende é aquele sem erro gramatical, sem gírias. Isso não acontece na versão em inglês”.
Assim como as contrapartidas da concorrência, Siri tem voz feminina, que usa para dar informações mastigadas (“qual é a farmácia mais próxima daqui?”) e até estabelecer diálogos.
Segundo pesquisa realizada em dezembro pela empresa Euromonitor com 8.000 pessoas em 17 países (Brasil inclusive), 35% dos consumidores buscam um celular que faz chamadas e envia mensagens sem o uso das mãos.
Um deles é o empresário Henrique Flory, 46, que, revoltado com a carência da língua portuguesa na biblioteca de Siri, criou um grupo no Facebook para tentar chamar a atenção da Apple. “Sempre considerei isso um descaso para com o consumidor. O Brasil, sozinho, já é um mercado significativo”, diz.
“A Siri em português foi lançada com alto grau de confiabilidade e eficiência, mas com quatro anos de atraso”. Após sua introdução no mercado americano, o iPhone de topo de linha de então, o 4S, teve bons resultados, vendendo cerca de 1 milhão de unidades na primeira semana. Shaw Wu, analista da empresa de pesquisa Sterne Agee, afirmou à época que isso se devia em grande parte a Siri, novidade que, para ele, “desafiava o senso comum”. A tecnologia de inteligência artificial por trás da Siri foi criada pelo SRI, instituto de pesquisa ligado historicamente à Universidade Stanford, e tem raízes também no projeto Darpa, de tecnologia militar do governo dos EUA.
Integrada a serviços on-line como Wikipédia, Twitter e Bing, o software se adapta conforme o uso para entender melhor as solicitações do seu “dono” no futuro. Google Now (Android) e Microsoft Cortana também têm a capacidade de se adaptar ao interlocutor.
A Microsoft diz que a sua assistente - disponível no Windows Phone e no futuro Windows 10, mas sem versão em português - usa “sabedoria” coletiva de uma base de dados alimentada por todo usuário.

CHEGADA DA XIAOMI NÃO PREOCUPA, DIZ SONY
“Apple chinesa” prepara lançamento no Brasil

por Bruno Romani/ FOLHAPRESS

Depois de atravessar um ano conturbado, no qual rumores davam conta de que desistiria do mercado de celulares, a Sony tenta se reinventar. Está focando em rentabilidade e investindo em categorias mais baratas. O presidente da divisão de celulares da companhia, Ricardo Junqueira, concedeu entrevista sobre o futuro da empresa e a chegada ao Brasil da chinesa Xiaomi, conhecida como a “Apple chinesa”, prevista para este ano.

Venda da unidade de celulares

Não há nada disso. Falando de Brasil, nos últimos dois anos nós crescemos muito. Foi a operação que mais cresceu. Em 2013, crescemos quase 300%. Temos ganhado participação nos mercados nos quais jogamos forte. No patamar acima de R$ 1.000, já estamos em terceiro.

Apostas

No ano passado, o mercado de smartphones de R$ 599 até R$ 899 cresceu muito. O que acho que vai acontecer neste ano é que o “price point” pode subir um pouco mais. A gente vai ver produtos espetaculares, tanto da Sony quanto dos concorrentes, no patamar de R$ 1.000 a R$ 1.500. O consumidor já está disposto desde que sinta vantagem.

Entrada da Xiaomi

Era algo previsto. Mais cedo ou mais tarde, a gente veria a entrada das empresas chinesas. Diria que não preocupa porque a gente se prepara para isso. No Brasil, o consumidor é muito emocional e tem uma relação de confiança muito forte com a marca. Não é algo que você cria da noite para o dia. Qualquer marca que não é conhecida e chega ao Brasil pode sofrer [com isso]. Criar a imagem de marca de confiança é algo difícil.

DEPOIMENTO

Siri dá respostas rápidas, mas olhares na rua e erros de ortografia irritam

Usar os comandos de voz para acionar o celular facilita algumas funções, mas é bem difícil passar um dia inteiro só “conversando” com o aparelho, sem digitar nele, como eu tentei anteriormente. Com a ferramenta, pode-se mandar mensagens, fazer ligações e pedir informações.
No entanto, a Siri, assistente pessoal do iPhone, não consegue digitar o código de segurança do aparelho. Precisei desativar o meu antes. Ao acordar, a primeira coisa que fiz foi agendar um alarme para os 20 minutos seguintes, porque sabia que não ia me levantar naquele horário e não podia perder a hora.
Depois, perguntei a previsão do tempo para o dia e como estava o trânsito na região. As respostas, além de serem rápidas, eram acompanhadas com algum bordão descontraído. Durante o dia, quando estava em espaços públicos, fiquei incomodada com a atenção que eu recebia por estar falando com o meu próprio celular. A solução foi usar fones de ouvido - as pessoas imaginam que você está em uma ligação.
Eu pensava mais de uma vez antes de mandar uma mensagem de texto. Apareciam erros de ortografia e eu precisava repetir a frase diversas vezes até ela sair certa. E a Siri só abria os apps, mas não fazia o login.

por Victoria Azevedo e Yuri Gonzaga/FOLHAPRESS
arte/FOLHAPRESS

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