Tela de ninguém

Youtubers e Facebook

Fosse o segmento de vídeos on-line um tribunal, o Facebook estaria no banco dos réus, já ocupado por quem, hoje, o acusa: o YouTube.
Personalidades populares no site do Google iniciaram recentemente uma guerra – por ora, só de palavras – contra a pirataria de seus vídeos.
As peças são baixadas do YouTube por usuários ou empresas e republicadas na rede social, quase sempre sem créditos. E, o mais importante para o autor do vídeo, sem as compensações financeiras que o YouTube dá.
“O Facebook lucra com vídeos copiados, dificulta o processo de remoção [de conteúdo ilegal] e não permite remuneração do produtor”, diz o carioca Felipe Neto, 27, criador de dois dos dez maiores canais em número de assinantes no YouTube no Brasil.
Lá fora, Smarter Every Day (3 milhões de assinantes) e Vlogbrothers (2,6 milhões) já divulgaram comunicados contra esse tipo de pirataria.
Segundo um estudo da empresa de marketing Ogilvy, 72,5% dos mil vídeos mais populares no Facebook no segundo trimestre de 2015 haviam sido copiados sem autorização para a rede social – ou 17 bilhões de visualizações de conteúdo pirateado.
A rede social não atendeu aos pedidos de entrevista da Folha. Na semana passada. Em comunicado, disse estar trabalhando em formas de combater a pirataria - sem especificar quais seriam. “Levamos a sério a propriedade intelectual”, escreveu Matt Pakes, diretor de vídeo do site.
O YouTube já enfrentou processos por infração de direitos autorais – um deles, bilionário, movido em dezembro do ano passado por artistas como Pharrell Williams e a banda Eagles.
Hoje, o site rastreia automaticamente conteúdo protegido e permite que os detentores ordenem sua remoção – ou ganhem dinheiro com a publicidade exibida.
Felipe Neto diz que, “por ética”, não faz upload de vídeos na íntegra no Facebook. Outros, como os americanos The Young Turks, um dos maiores canais do mundo na categoria de notícias (2,3 milhões de assinantes), publicam em várias plataformas.
“Inclusive no Facebook, para alcançar novos públicos”, diz Steven Oh, diretor do TYT. O canal multiplicou em 24 vezes o número de visualizações na rede social em seis meses (48 milhões em junho).

Guerra de números
O Facebook tem apostado cada vez mais em vídeos. Em agosto, criou o Live, ferramenta restrita a celebridades, para transmissões ao vivo – recurso já oferecido por YouTube e Twitter (Periscope).
Em janeiro, anunciou que havia chegado à marca de 3 bilhões de visualizações diárias de vídeos – a de 4 bilhões foi alcançada três meses depois. Em abril, o YouTube divulgou que tinha 7 bilhões.
Vídeos no Facebook são reproduzidos automaticamente no “feed” – em três segundos, contam como uma visualização. No YouTube, a conta varia, mas, em uma peça de cinco minutos, costuma valer a partir do 30º segundo.
Para Jamie Byrne, diretor de estratégia em conteúdo no YouTube, a métrica que mais importa é a de tempo assistido, para o criador de conteúdo e para os anunciantes.
Por outro lado, ele diz acreditar que há lugar para plataformas simultâneas. “Um filme vai para o cinema, depois para disco, TV e, agora, serviços como Hulu e Netflix.”
Essa lógica, de “tirar o máximo do conteúdo”, para ele, também pode valer on-line - no YouTube ou no Facebook.

Números do Youtube

  • 1 bi -- número de usuários
  • 7 bi -- visualizações de vídeos por dia (em abril/2015)
  • 50% -- das visualizações são feitas de um dispositivo móvel
  • US$ 2.000 -- estimativa de faturamento a cada milhão de visualizações no YouTube

 

Números do Facebook

  • 1,49 bi -- número de usuários
  • 4 bi -- visualizações de vídeos por dia (em abril/2015)
  • 50% -- dos americanos que usam a rede social assistem a um vídeo por dia
  • 68% -- dos principais canais do YouTube publicaram um vídeo também no Facebook (em maio)

por Yuri Gonzaga/Folhapress
(de São Paulo)
arte adaptada/Folhapress

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